Data centers: a nova corrida do ouro e a posição estratégica do Brasil
Neste episódio do podcast Ponto de Troca, a sócia Natalia De Santis conversa com Alexandre Pierantoni sobre os investimentos em data centers no Brasil e no mundo
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O mundo vive uma corrida por infraestrutura digital, e os data centers estão no centro dessa transformação. Com o avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e da digitalização de serviços, governos e empresas estão investindo bilhões para garantir capacidade de processamento, armazenamento e conectividade. Nesse contexto, o Brasil começa a se posicionar como um destino estratégico para esses investimentos. É sobre essa realidade que a sócia Natalia De Santis conversa com o diretor de Finanças Corporativas da Kroll na America Latina, Alexandre Pierantoni, no mais recente episódio do podcast Ponto de Troca. Veja, abaixo, alguns dos principais pontos tratados.
Investimentos bilionários e expansão global
Atualmente, existem cerca de 12 mil data centers no mundo, sendo 50% nos Estados Unidos. Países como Alemanha e Inglaterra também ocupam posições de destaque. Um dos exemplos mais ambiciosos é o Projeto Stargate, nos EUA, que prevê investimentos de US$ 550 bilhões em mega data centers, com participação de gigantes como SoftBank, Oracle e Microsoft.
América Latina: potencial em crescimento
A alta demanda por esses serviços tem despertado uma descentralização geopolítica. Apesar de, hoje, representar apenas 1,7% do mercado global de data centers, a América Latina projeta um crescimento anual de 12% até 2030. O Brasil, com cerca de 170 data centers, é o país com maior potencial na região. A abundância de recursos naturais, a matriz energética renovável e o custo competitivo da terra são fatores que tornam o país atrativo para investidores.
ReData: incentivo à infraestrutura digital no Brasil
Para acelerar esse processo, o governo brasileiro lançou, em setembro, a Medida Provisória nº 1.318, que institui o ReData — regime especial de tributação para serviços de data center. A medida suspende tributos sobre aquisição e importação de tecnologias da informação para empresas habilitadas, desde que cumpram compromissos ambientais e sociais.
Entre os requisitos estão:
- Destinação de 10% da capacidade ao mercado interno ou investimento equivalente em pesquisa e desenvolvimento;
- Uso exclusivo de energia limpa;
- Eficiência hídrica mínima;
- Investimento de 2% do valor dos bens adquiridos em pesquisa e desenvolvimento.
Empreendimentos nas regiões norte, nordeste e centro-oeste terão benefícios adicionais, como redução de até 20% nas exigências, incentivando ainda mais essa descentralização.
O Brasil, no entanto, ainda enfrenta desafios como a complexidade tributária, a necessidade de qualificação da mão de obra, a conectividade limitada em algumas regiões e o alto custo de capital.
Para mais informações sobre o tema, conheça a prática de Infraestrutura Digital do Mattos Filho.
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