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​Volume de fusões e aquisições é recorde

13Set2018Sep13,2018
Corporate/M&A
Valor Econômico

Por Nathália Larghi | De São Paulo

O primeiro semestre de 2018 movimentou R$ 84 bilhões em operações de fusões e aquisições, o maior volume desde 2010 para o período, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O número de transações, porém, foi 38,5% menor do que no mesmo período do ano passado. O recorde no valor movimentado se deve à compra da Fibria pela Suzano por R$ 47,7 bilhões, maior operação desde 2008. 
Nos primeiros seis meses do ano passado, todas as operações somaram R$ 54,3 bilhões.

A queda no número de transações pode ser explicada pelo cenário eleitoral e pela volatilidade do dólar, fatores que aumentam a incerteza em relação ao futuro e, por isso, podem incentivar empresários a adiar a tomada de decisões estratégicas. Ainda assim, o advogado João Ricardo de Azevedo Ribeiro, sócio e especialista na área de fusões e aquisições do escritório Mattos Filho, considera que o ano de 2018 será positivo.

"Não é um ano ruim. O número de operações é menor do que no ano passado, mas vemos movimentações para o segundo semestre também. E isso não deve mudar até o fim do ano", afirmou. "Estamos com uma variação aceitável para esse mercado, seja em quantidade de transações como em volume."

Embora os dados da Anbima mostrem que houve uma queda no investimento de fundos de private equity no setor, Ribeiro afirma que os dados representam mais uma "coincidência do que uma tendência". "Esses fundos passam por ciclos, tem entradas e saídas, não há uma tendência. Temos processos tanto de entrada quanto de saída em andamento", afirmou. Para ele, no segundo semestre deverá haver mais investimentos do que saídas.

Segundo a Anbima, nos primeiros seis meses do ano passado, esses fundos fizeram nove investimentos de R$ 4,5 bilhões e dois desinvestimentos de R$ 200 milhões. Já neste ano, foram cinco investimentos de R$ 1,7 bilhão e cinco desinvestimentos de R$ 6,3 bilhões.

Dimas Megna, coordenador do subcomitê de fusões e aquisições da entidade, também minimizou os números e explicou que o movimento de saídas se deve à aquisição da Somos Educação pela Kroton. "Cabe levantar que apenas essa operação representou R$ 5,5 bilhões, indicando esse aumento nos desinvestimentos", afirmou. "Fora isso, o número de operações de private equity continua."

Daniel Anger, sócio do BTG Pactual, também acredita que o número de investimentos deve aumentar. Ele destaca, no entanto, que isso só deve acontecer no próximo ano. "Como eles demoram um pouco mais para avaliar e investir, acho que no ano que vem podemos vê-los de volta."

O sócio do BTG Pactual concorda que apesar de o número de transações estar mais baixo, 2018 não será um ano ruim. Para ele, o segundo semestre deve seguir o mesmo ritmo dos primeiros seis meses, principalmente após a eleição. Anger afirma que setores como infraestrutura e energia devem movimentar o mercado de fusões e aquisições nos próximos meses. Ribeiro, do Mattos Filho, aponta, além desses setores, as áreas de saúde, seguros, educação e imobiliária.

Os dados da Anbima ainda mostraram que a maior movimentação de fusões e aquisições foi entre empresas brasileiras, com 69,7% do volume total, somando R$ 58,6 bilhões. Já a aquisição de companhias brasileiras por estrangeiras representou 22,8% do total, com R$ 19,2 bilhões movimentados. Ao longo de 2017, essas operações responderam por 47% do total.

Para Anger há uma tendência de mais operações envolvendo empresas locais em meio à volatilidade do dólar. "A gente tem bons players nacionais consolidadores. Há uma tendência de brasileiros consolidarem, porque eles não têm risco cambial, [a volatilidade cambial] é menos impactante do que para o estrangeiro. Principalmente transações de valores menores."

As transações de R$ 100 milhões a R$ 499 milhões foram maioria, com 25,6% do total. As operações acima de R$ 1 bilhão tiveram um aumento nos primeiros seis meses do ano. Aquelas de R$ 1 bilhão a R$ 4,9 bilhões saíram de 17,1% para 20,9% do total. As de R$ 5 bilhões a R$ 9,9 bilhões passaram de 2,9% para 4,7% e as acima de R$ 10 bilhões saíram de zero para 2,3%. As operações de R$ 20 milhões a R$ 99 milhões também cresceram: eram 20% e agora são 23,3% do total.