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Volta da Petrobras aos leilões da ANP é cercada de dúvidas

27Set2017Sep27,2017
Infraestrutura e Energia; Óleo e Gás
Valor Econômico

​Por André Ramalho e Rodrigo Polito | Do Rio

Há quase quatro anos sem adquirir novas áreas exploratórias, a Petrobras tem planos de voltar aos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP) este ano, mas a estratégia da empresa para a 14ª Rodada, de hoje, ainda é uma incógnita. No mercado, a expectativa é que a presença da estatal não seja tão expressiva e que a participação das demais petroleiras ajude ao governo a arrecadar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão em bônus de assinatura, segundo estimativas dos organizadores do leilão.

Primeiro grande teste do governo, após uma série de mudanças pró-mercado adotadas nas regras do setor desde o ano passado, a 14ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios pode marcar o retorno da Petrobras às compras, depois da ausência na 13ª Rodada em 2015. A dimensão da participação da estatal no leilão, no entanto, ainda gera curiosidade no setor.

"Uma coisa interessante será ver qual será a atuação da Petrobras no leilão", afirma Giovani Loss, sócio responsável pela área de óleo e gás do escritório Mattos Filho.

Ele lembra que a companhia está conduzindo um plano fortemente concentrado em redução de investimentos e de nível de endividamento e já assumiu compromissos milionários nos dois leilões de partilha do pré-sal, de outubro - se tiver sucesso nas rodadas de partilha, a companhia terá que desembolsar ao menos R$ 810 milhões em bônus correspondentes à participação mínima de 30% nas áreas em que exerceu o direito de preferência: Sul de Sapinhoá, Peroba e Alto de Cabo Frio Central.

Por outro lado, a companhia precisa repor reservas, como todas as empresas do setor. Desde sua última participação em leilão, em outubro de 2013, a Petrobras devolveu cerca de 60 concessões onde operava. A empresa possui, hoje, 125 blocos, segundo a ANP.

A 14ª Rodada será o primeiro leilão da Petrobras sob a gestão de Pedro Parente. Na última licitação do tipo, a companhia, sob o comando de Aldemir Bendine, preso há praticamente dois meses, na 42ª fase da Operação Lava-Jato, não fez oferta por nenhum bloco. Foi a primeira vez que a maior petroleira do país saiu de um leilão da ANP de mãos vazias. Na ocasião, além do baixo preço do petróleo e da baixa atratividade das áreas oferecidas, pesou na decisão a necessidade da empresa de reduzir seu endividamento.

Em carta enviada pelo presidente da Petrobras a funcionários, esta semana, Parente disse que vai analisar as áreas da 14ª Rodada de forma conjunta com os ativos que serão licitados pelo governo nos próximos leilões até 2019. Além dos dois leilões sob o regime de partilha do pré-sal, marcados para outubro, o governo pretende fazer a 15ª Rodada e o 4º leilão do pré-sal, em 2018, e a 16ª Rodada e o 5º leilão do pré-sal em 2019.

"Nosso objetivo é assegurar que, olhando o conjunto de todas as áreas ofertadas nesses leilões, tenhamos os melhores resultados para o nosso portfólio e avancemos de forma consistente na reconstrução da nossa empresa", disse ele, no documento. "Esta sinalização de mais longo prazo na realização dos leilões permite que a nossa empresa, assim como os demais interessados, possa se programar, além de montar uma estratégia que é conjunta para os ativos ofertados", complementou.

Ele destacou, ainda, que recompor o portfólio de exploração é uma das iniciativas do planejamento estratégico da companhia. A relação reserva/produção (R/P) da Petrobras caiu de 2015 (14,2 anos) para 2016 (13,5 anos), de acordo com critério da Society of Petroleum Engineers (SPE).

O governo estima que a 14ª Rodada possa gerar entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão de arrecadação. Segundo o secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, o sucesso do leilão será medido não só pela arrecadação, mas também pela capacidade da rodada de atrair novos operadores e pela diversificação geográfica das áreas arrematadas.

"Para mim sucesso é aumentar o número de operadores no Brasil, ter uma arrecadação razoável. R$ 1 bilhão é um número simpático. Se for mais, melhor. E ter áreas vendidas em todas ou quase todas as bacias", afirmou Félix.

Já a ANP estima que a arrecadação deverá ficar "na casa dos R$ 500 milhões", segundo o diretor-geral, Décio Oddone, que acredita que entre 20% e 30% dos 287 blocos ofertados sejam licitados.

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