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Veronezi e Gazit expõem disputa

12Dez2018Dec12,2018
Contencioso e Arbitragem
Valor Econômico

​Adriana Mattos


Os desentendimentos entre o grupo Gazit Brasil e a família Veronezi, controladora da General Shopping, tornaram-se públicos nos últimos dias. Empresa da família acusa a Gazit, em notificação publicada na imprensa, de pôr em risco o funcionamento do Internacional Shopping Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.

No dia 13 de novembro, o shopping sofreu um apagão de energia. As duas companhias são sócias no empreendimento desde o fim de 2017.

Em agosto, o Valor informou que a relação entre as duas empresas piorou rapidamente por causa de divergências contratuais. A Gazit abriu processo contra empresa dos Veronezi por suposto desrespeito à cláusula do acordo de compra de 70% do shopping, no ano passado.

Agora, parte das desavenças tornaram-se de conhecimento do mercado. Notificação publicada em jornais no dia 6 de dezembro, por uma companhia dos Veronezi, a Energy Comércio e Serviços de Energia, informa que a Gazit "vem impedindo o acesso das equipes da Energy" à estação de energia do shopping.

Diz ainda que estão dando "ciência de tais fatos" a lojistas, consumidores e funcionários, de modo a "evidenciar" que eventuais danos deverão ser responsabilidade do condomínio do shopping. A administradora do condomínio é a Gazit Corporate.

"O condomínio tem promovido ações que modificaram as condições de funcionamento dos equipamentos [...] e que podem resultar em falhas", acrescenta o documento. A Energy é a dona do conjunto de subestação de energia elétrica que alimenta o shopping.

A notificação é parte de processo aberto no dia 3 de dezembro pela empresa dos Veronezi contra o condomínio.

A publicação ocorreu semanas depois de a Gazit já ter aberto uma ação contra a empresa da família exatamente por causa do fornecimento de energia ao shopping.

O Valor apurou que, em outubro, a Gazit entrou com um processo contra a empresa dos Veronezi por causa da prestação do serviço de energia elétrica.

É uma ação solicitando a produção antecipada de provas, com pedido de perícia no material, diz fonte a par do assunto. Alega que faltam documentos no shopping sobre o contrato de prestação de serviço de energia, e que é preciso ter acesso aos contratos para verificar a autenticidade desses documentos.

Na prática, os desentendimentos entre as partes já estavam claros nas últimas assembleias de condôminos.

Em maio, a Gazit colocou em pauta de assembleia a necessidade de fazer investimentos em infraestrutura no empreendimento, como em energia. Mencionava riscos ao negócio, caso não ocorressem. Na época, não foi aprovada pelos sócios, como a empresa Levian, da família Veronezi, a solicitação de investimento de R$ 1,2 milhão. Foi aprovado R$ 670 mil.

Procurado para comentar o caso, o advogado do grupo Gazit Brasil, Eduardo Damião Gonçalves, sócio do escritório Mattos Filho, explicou que a notificação publicada pela empresa dos Veronezi "não reflete a realidade dos fatos". Ele ainda afirma que não comentará os processos envolvendo a Gazit e a General Shopping, já que estão em segredo de Justiça.

Também procurada ontem, a General Shopping preferiu não se manifestar.

A Gazit Brasil, dona de shoppings como o Top Center e sócia do Cidade Jardim, ambos em São Paulo, é controlada pelos israelenses da Gazit-Globe, que atuam no país desde 2008. A General Shopping tem 15 empreendimentos no país, como o Outlet Premium São Paulo e o Auto Shopping Internacional. O grupo tem registrado piora em seus indicadores neste ano.

Com quase R$ 350 milhões de prejuízo de janeiro a setembro, alta de cerca de 750%, a General Shopping apurou queda nas vendas de 13% no intervalo e piora da situação financeira. Houve aumento das despesas por causa da dívida em dólar da companhia.

Na tentativa de reduzir essas pressões em seus resultados, a companhia teria passado, no entendimento de analistas, a negociar a venda de participação em seus ativos. A Gazit pagou R$ 937 milhões por 70% dos 90% de participação que a General Shopping tinha no Internacional Guarulhos.

Como informado pelo Valor em agosto, o imbróglio entre as partes começou neste ano por outras razões. A Gazit decidiu processar a família Veronezi depois que ela vendeu para a Nessun Dorma Empreendimentos, outra empresa da família, 0,3% do shopping. A família Veronezi tem 10,1% do Internacional Guarulhos.

A Gazit alegava que deveria ter exercido o seu direito de preferência na compra dos 0,3%. Já a General dizia que o direito foi respeitado, e que uma notificação questionando o interesse na fatia foi encaminhada à Gazit em abril. A Gazit negava o recebimento do documento.

Neste momento, o processo está concluso para sentença da Justiça, e passou a correr em segredo de Justiça depois que o Valor publicou o caso, apurou a reportagem.
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