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Valid será a segunda empresa a testar modelo

14Set2015Sep14,2015
Mercado de capitais
Valor Econômico

Valid será a segunda empresa a testar modelo

Da redação

Apenas duas empresas tentaram fazer ofertas de ações com esforços restritos. A varejista Restoque fracassou no ano passado. E a segunda tentativa iniciou semana passada, com a Valid, que atua nos ramos de sistemas de identificação, meios de pagamento, telecomunicações e certificação digital.​​

O sucesso da Valid poderá puxar as novas distribuições. Fazer essa modalidade acontecer é, no momento, uma missão para os bancos de investimento, interessados também em garantir suas próprias receitas ­ este ano, nenhuma oferta foi para a bolsa. As companhias estão agora avaliando se a opção é também benéfica para elas, mesmo num ambiente difícil de mercado.

As duas empresas que lançaram a operação já são listadas. Vanessa Fiusa, sócia do escritório Mattos Filho, acredita que são essas as mais beneficiadas por essa oferta simplificada. "A empresa captar rapidamente e suas ações ficam menos expostas à operação", diz. Além disso, ela avalia que essa pode ser uma opção ao aumento de capital.

"Na oferta restrita, os atuais acionistas têm o direito de preferência e a reserva fica aberta por 5 dias. No aumento de capital, que dá o mesmo direito, o prazo é de 30 dias", diz Vanessa. Além da rapidez, o valor da operação, diferente do aumento de capital, é definido através do mercado ­ o que pode influenciar o lançamento da distribuição.

A Valid quer captar US$ 90 milhões e, segundo apurou o Valor, há chances de os próprios acionistas garantirem boa parte da colocação. A empresa vive um bom momento, de entrega de resultados e internacionalização. O resultado sai dia 22.

Mas os bancos também apontam vantagens na operação para as novatas. Apesar de a listagem no Bovespa Mais significar uma menor liquidez, ela também significa que o empresário não está obrigado a vender 25% da companhia, como exige o Novo Mercado.

"Se durante o processo o empresário considerar o preço oferecido pelos investidores muito baixo, ele pode, em vez de cancelar a oferta, vender uma fatia menor, de 10%, se isso equivaler a um valor significativo para o negócio dele", diz um banqueiro. Nesse aspecto, ele vai ser menor na bolsa, mas também poderá se adaptar mais gradualmente à nova condição de companhia aberta. Poderá mostrar o que é capaz de fazer com os recursos captados e, mais à frente, aproveitar a abertura de uma janela de mercado, vender mais ações e migrar para o Novo Mercado também com mais rapidez. Para o mercado, a Restoque não concluiu a operação porque não vivia à época um bom momento de mercado. "Se a empresa ou o segmento estiverem fora do radar, não vai ser em dez dias que os investidores vão estar dispostos a prestar atenção", resume um banqueiro.

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