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Usiminas avalia investir em logística por meio do porto privativo em SP

19Jan2016Jan19,2016
Infraestrutura e Energia
DCI

Usiminas avalia investir em logística por meio do porto privativo em SP​

Da redação

A empresa possui autorização para movimentar cargas de terceiros e de todo tipo no terminal de Cubatão, na Baixada Santista. Segundo fontes do mercado, o plano é depender menos do aço​

São Paulo - Diante da crise que se instalou na siderurgia, a Usiminas estuda a possibilidade de ampliar o foco em logística no complexo de Cubatão (SP), segundo fontes do mercado. Com porto privativo em local privilegiado, o intuito é depender cada vez menos do aço.​

"A ideia é concentrar mais investimentos no porto, que é um ativo extremamente valioso da companhia. Executivos e engenheiros vêm avaliando a possibilidade já há algum tempo", afirma uma fonte ligada à Usiminas.​​​​

Para o advogado especializado em infraestrutura do Mattos Filho, Bruno Werneck, com a saturação do Porto de Santos (SP) - o maior do Brasil e que opera ao lado da Usiminas - haverá espaço para a siderúrgica ampliar a sua receita com movimentação de carga de terceiros.

"Em um momento de retração das commodities, faz todo sentido que empresas que detêm a concessão de portos utilizem o ativo para outras cargas", pondera.

No fim do ano passado, a Usiminas anunciou que irá encerrar temporariamente as atividades das áreas primárias em Cubatão, o que inclui o desligamento do maior alto-forno da unidade. A empresa já havia informado a desativação do alto-forno 1.

Segundo fontes do mercado, a decisão de desligar os dois equipamentos, ainda que temporariamente, não faz sentido se a empresa não está disposta a desembolsar quantias vultosas para que voltem a funcionar no futuro.

"Os altos-fornos da Usiminas em Cubatão são totalmente ultrapassados e demandariam investimentos enormes para que possam passar pelo chamado retrofitting, que é a reforma dos equipamentos", afirma a fonte ligada à empresa. "Nas condições atuais do mercado siderúrgico, não faz sentido investir nesse tipo de empreitada diante do endividamento da siderúrgica".

O complexo inaugurado na década de 1960 impressiona. Com área estimada em mais de 12 milhões de metros quadrados, boa parte é destinada para abrigar o chamado Terminal Marítimo Privativo de Cubatão (TMPC), ligado a um terminal ferroviário de cargas.

A siderúrgica tem autorização para movimentar carga de terceiros como contêineres, granéis sólidos e carga geral, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), diferentemente de algumas empresas que operam terminais privativos em Santos.

"A Usiminas possui uma área muito boa em um porto cuja localização é a mais valiosa do País no segmento. Investir em logística seria uma saída para atravessar o momento difícil pelo qual passa o setor siderúrgico", pontua Werneck.

​​Procurada, a Usiminas informou que a hipótese de investir no porto em detrimento do negócio de aço é "absolutamente improcedente". Mas de acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santos e Região, Florêncio Resende de Sá, a empresa vem planejando desde 2011 aumentar o foco em logística.

"Reconhecemos que o setor passa por um momento difícil, mas a crise é apenas uma desculpa para demitir e mirar os negócios no porto, que inclusive já tem projeto de aumento do calado para receber navios maiores", observa o dirigente.

Ainda segundo ele, na unidade de Cubatão os equipamentos estão há anos sem manutenção. "Para voltar a operar, a empresa teria que investir muito", diz. A Usiminas destaca, por outro lado, que o aporte na área (capex) superou R$ 1 bilhão nas duas plantas da companhia entre 2014 e o terceiro trimestre de 2015.

Para Werneck, investir no porto só seguiria uma tendência observada em grandes indústrias de matérias-primas como mineração, cujos projetos incluem logística integrada. "A receita proveniente da movimentação de carga pode reduzir a exposição às oscilações das commodities."

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