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Setor elétrico quer que conta de luz venha com valores discriminados

21Ago2017Aug21,2017
Trabalhista, Sindical e Remuneração de executivos
Folha de S.Paulo

Distribuidoras de energia querem antecipar para janeiro de 2018 a mudança nas contas de luz para que tragam a informação de qual é o custo da energia e quanto foi pago pela infraestrutura para levá-la ao ponto de consumo.

A explicitação está prevista na proposta do novo marco regulatório do sistema elétrico, mas só em 2022.

Cerca de 15% do valor das tarifas são a remuneração das distribuidoras, afirma Nelson Leite, presidente da Abradee (associação do setor).

Com a alteração, se passaria a cobrar de quem gera a própria energia, mas também usa a rede da distribuidora, hoje sem pagar.

"O ideal é que se implemente isso já, para que as condições sob as quais uma pessoa investe em placa solar não se altere depois."

Para a maior parte dos clientes, essa tarifa, chamada de binômia, "só deixa claro o que é geração, transporte e encargos", diz Sidney Simonaggio, vice-presidente de assuntos regulatórios da AES.

A Abradee também propõe "otimizar" regras de governança para a Aneel. A ideia é que ela já passe a atender padrões que estão em uma proposta para todas as agências.

As sugestões ao marco regulatório foram enviadas na quinta (17), último dia em que a consulta pública esteve aberta a contribuições.

Nas próximas semanas, técnicos do Ministério de Minas e Energia analisarão as ideias recebidas no processo.

O plano é enviar uma medida provisória ao Congresso em setembro, por receio de que o recesso atrapalhe a adoção das novas regras.

"Há leilões para 2021 e 2023. As distribuidoras podem estar subcontratadas em 2022 -é uma estimativa de 0,5%, mas já sinaliza que há necessidade de outra rodada para aquele ano"

Nelson Leite, presidente da Abradee

Lenha no forno

Os controladores da Usiminas, a italiana Ternium e a japonesa Nippon Steel, ainda estão na disputa iniciada há quase três anos, mas a empresa procura recompor seu parque produtivo e buscar novos clientes.

A companhia deverá contratar 400 temporários para religar um alto-forno em Ipatinga (MG) e 120 funcionários para operá-lo.

Na divisão de mineração, outras 400 pessoas começaram a trabalhar, diz o presidente Sérgio Leite.

"No primeiro semestre, nós investimos R$ 57 milhões. Até o fim deste ano, devem ser mais R$ 200 milhões. No alto-forno, serão R$ 25 milhões. O resto são dezenas de projetos."

Parte desses valores vai para o desenvolvimento de produtos para possíveis novos compradores —como aço para torres de energia eólica e estruturas para painéis solares.

A Usiminas firmou um contrato para fornecer peças para uma usina de energia solar na cidade de Guaimbê, no interior de São Paulo. Deverão ser vendidos cerca de 7.500 toneladas de materiais de aço.

No segundo trimestre, a empresa teve um Ebitda de R$ 710,5 milhões. A Usiminas conseguiu reverter números operacionais negativos dos dois últimos anos.

R$ 6,9 BILHÕES é a dívida da empresa

Bônus por desempenho pode ser isento de encargo social

A reforma trabalhista poderá permitir o pagamento de bônus por performance aos funcionários em forma de benefício —sem a cobrança de encargos sociais.

Pelo novo texto, as premiações por desempenho deixam de ser consideradas parte do salário, o que possibilita que sejam pagas como benefício, diz Domingos Fortunato, sócio do Mattos Filho.

"A medida já está em estudo por diversas companhias, mas há cautela. Para ter segurança jurídica, é preciso que a empresa elabore critérios claros para o prêmio."

Outra remuneração fora do salário que deve ganhar espaço é para a compra de remédios e produtos de saúde.

O item já é previsto na lei, porém não de forma clara como no novo texto, diz Marília Rocca, diretora-geral da Ticket, de cartões de benefícios.

As empresas do setor, porém, cogitam que as mudanças não permaneçam no texto, afirma Stener Navarro, diretor de produtos da Sodexo.

"A alíquota sobre os bônus é baixa perto do total, mas o governo vai avaliar se pode abrir mão dessa tributação."

Desinvestimento lucrativo

Empresas que realizaram desinvestimentos geraram 15% mais valor aos acionistas do que as que não venderam seus ativos, segundo a Bain & Company.

Foram consideradas 2.160 companhias de capital aberto em todo o mundo, no intervalo de 2005 a 2015, e analisada a variação de preço das ações no período.

Um investidor que aplicou, em 2005, US$ 100 nos papéis de uma companhia que posteriormente se desfez de ativos, teve um retorno médio de US$ 212 dez anos depois, segundo a análise.

Entre as ações das empresas que não fizeram mudanças, o retorno foi, em média, de US$ 181 para cada US$ 100.

Ao se comparar as companhias inativas com as que, além de desinvestir, também realizaram aquisições significativas com frequência, a variação é de 39%.

Esses investidores teriam recebido US$ 252 em 2015, segundo a Bain.

Empregos

O setor de educação teve a maior alta no emprego entre as empresas de serviços de São Paulo no primeiro semestre, segundo a FecomercioSP.

O saldo foi de 16,9 mil vagas criadas, um aumento de 3,4% em relação ao mesmo período de 2016. Em todos os setores, a queda foi de -0,7%.

Este nível deverá se manter até o fim deste ano, diz Jaime Vasconcellos, da federação. "Mesmo com a reforma trabalhista, não vejo um impacto no emprego a curto prazo."

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