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Setor de seguros vive momento aquecido em fusões e aquisições

14Out2016Oct14,2016
Seguros, Resseguros e Previdência privada
Valor Econômico
Setor de seguros vive momento aquecido em fusões e aquisições

Da redação

A criação da joint venture entre Bradesco Seguros e Swiss Re Corporate Solutions anunciada ontem é o mais recente exemplo de quão aquecido está o mercado de fusões e aquisições no ramo segurador. Desde o ano passado, 25 operações relevantes foram concluídas e outras 12 anunciadas, de acordo com dados da Transactional Track Record levantados pelo escritório de advocacia Mattos Filho a pedido do Valor. Além dessas, outras três operações internacionais foram fechadas com reflexos no mercado brasileiro.

A expectativa de Alessandro Ribeiro, sócio da área de fusões e aquisições da consultoria PwC, é que este ano seja mais aquecido em operações de fusão e aquisição do que foi o ano passado no ramo de seguros. A lógica dessa tendência no mercado local é clara: por um lado, bancos têm interesse cada vez menor em operações que não façam parte de seu negócio principal, e de outro, instituições internacionais seguem em busca do aumento de participação no Brasil. "Tem muitas seguradoras e resseguradoras estrangeiras de olho no país", afirma Ribeiro.

Além das conversas entre Swiss Re e Bradesco, que tiveram um desfecho na noite da última terça-feira, a gestora de private equity Vinci Partners vinha negociando a venda da seguradora e resseguradora Austral para os chineses da companhia de investimentos Fosun. O Valor apurou que as conversas esfriaram e agora a Vinci deve rever a decisão de vender o negócio. Já o banco Brasil Plural está interessado em atrair um sócio para aumentar o capital da resseguradora Terra Brasis e tem estudado alternativas.

A atual onda de operações de troca de controle no setor segurador teve início em 2014 com a venda pelo Itaú Unibanco da Itaú Seguros Soluções Corporativas para a ACE Seguradora, por cerca de R$ 1,5 bilhão. A empresa vendida conduzia as operações de seguros de grandes riscos do conglomerado brasileiro, com médias e grandes empresas como clientes, com apólices de valores segurados elevados.

Na época, o banco brasileiro afirmou que a operação estava associada à estratégia de focar na comercialização de seguros massificados, tipicamente relacionados ao varejo bancário.

Na sequência, já no ano de 2015, a SulAmérica vendeu para a Axa Corporate Solutions a Sul América Companhia de Seguros Gerais, que passou a reunir a carteira de grandes riscos do segmento de ramos elementares, além da já existente operação no ramo de seguro Dpvat. O valor global da operação foi R$ 135,2 milhões.

"As seguradoras estão buscando o seu foco e expertise e as operações secundárias viram foco de fusão e aquisição. As operações vendidas pelo Itaú e pela SulAmérica eram muito específicas", comenta o executivo de um banco de investimentos. "A estratégia é fortalecer carteiras chave e vender operações menores."

Transações menores também confirmam a tendência das seguradoras em focar nas operações principais e sair de negócios em que têm pouca relevância. Recentemente, a Chubb e a AIG anunciaram venda da carteira de automóveis para a líder de mercado Porto Seguro. Esse cenário não é observado apenas no Brasil, de acordo com Ribeiro, da PwC, que vê o movimento acontecer também nos Estados Unidos e em países europeus.

Entre outras operações concluídas desde o ano passado, é destaque o aumento de participação da Travelers Brasil Aquisition no capital da J.Malucelli em compra de fatia antes detida pelo Paraná Banco. Além disso, a Brasil Insurance comprou o controle da Fidelle Seguros. Entre as operações em andamento, a CNP Asurrance assinou acordo para adquirir 51% da Pan Corretora e da Pan Seguros detida pelo BTG Pactual, o Banco BMG vai adquirir a Capemisa Seguradora de Ramos Elementares, detida pelo grupo Capemisa, e a Prudential anunciou aquisição da IU Seguros, detida pelo banco Itaú.

Em meio ao aumento de participação das estrangeiras, outra tendência observada é a busca por canais de distribuição. Muitas empresas fazem parceria com bancos para aproveitar o canal de distribuição e ter maior alcance na hora de vender os seus produtos. É o caso da parceria gerada pela italiana Generali com o Banco BMG em um contrato de vinte anos.

A estratégia é vender os produtos da seguradora nos canais do banco para o público-alvo do BMG - aposentados, pensionistas e funcionários públicos. A expectativa é que a parceria gere R$ 27 bilhões em prêmios durante a vidência do acordo.

Marina Prado, sócia do escritório de advocacia Souza, Cescon, Barrieu & Flesch Advogados, vê ainda uma terceira tendência em ramos mais específicos, como é o caso do D&O, modalidade de seguro de responsabilidade civil que visa proteger o patrimônio de altos executivos.

"Os executivos ficam cada vez mais em cima da empresa para contratar esse seguro na hora de aceitar um cargo e em meio à Operação Lava-Jato [da Polícia Federal], as seguradoras não esperavam custos tão grandes com honorários de advogados criminalistas. Não sabemos como esse mercado vai se desenvolver, mas uma parte está tendo que se ajustar e para isso operações de fusão e aquisição podem acontecer", explica a especialista.
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