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Ser Educacional também cobiça uma fusão com a carioca Estácio

7Jun2016Jun7,2016
Societário/M&A
Valor Econômico

Ser Educacional também cobiça uma fusão com a carioca Estácio

​Dois dias após a Kroton confirmar seu interesse pela Estácio, a Ser Educacional apresentou ao conselho da companhia carioca uma proposta de fusão. A transação cria um grupo de ensino superior com valor de mercado de quase R$ 6 bilhões, 740 mil alunos e uma participação de mercado de 9%. 

A proposta contempla uma troca de ações, sendo que o capital da nova companhia teria 68,7% de acionistas da Estácio e 31,3% da Ser Educacional. O acordo prevê uma distribuição extraordinária de dividendos no valor de R$ 590 milhões para os acionistas da Estácio.

 O fundador da Ser Educacional, Janguiê Diniz, fica com a maior fatia da empresa combinada, o equivalente a 22%. Hoje, sua participação na Ser é de 70%. Outro acionista relevante é o empresário Chaim Zaher, fundador da UniSEB, e que deve ter sua participação diluída de 13% para 9%. 

Caso a fusão seja aprovada, a nova companhia terá cerca de 60% dos seus papéis negociados no mercado. Hoje, só 30% das ações da Ser são listadas na bolsa. Segundo Jânyo Diniz, presidente da Ser Educacional, a associação com a Estácio já era um projeto vislumbrado antes mesmo da Kroton confirmar o interesse. 

"É uma proposta para crescimento em âmbito nacional. Há muitas sinergias e pouca sobreposição. Podemos criar uma companhia com alto potencial de crescimento", disse o presidente da Ser Educacional que reuniu­se com os conselheiros da Estácio no sábado. 

A Ser contratou o Credit Suisse e o Pinheiro Neto como assessores financeiro e jurídico, respectivamente. A investida da Ser Educacional é claramente um contra ataque à oferta da Kroton que, na semana passada, confirmou seu interesse pela Estácio. 

A proposta, a ser enviada oficialmente nos próximos dias, contempla uma troca de ações em que 0,977 de ação ordinária da Kroton equivale a uma ação da Estácio. Mas, essa proposta provavelmente terá que contemplar um prêmio à Estácio. Até o momento, as ofertas da Kroton e da Ser Educacional não contemplam um prêmio para a companhia carioca e sim troca de ações. 

No entanto, segundo o Valor apurou, há uma predisposição maior da Estácio em se juntar com a Ser Educacional. Ambas as companhias já chegaram a conversar sobre uma possível fusão, mas a ideia foi deixada de lado devido à turbulência do Fies, programa de financiamento estudantil do governo, no ano passado. 

Uma das teses é de que a Estácio prefere a Ser Educacional porque ela não seria "engolida" como deve acontecer se houver uma fusão com Kroton, que é de longe muito maior. Já a líder de mercado tem a seu favor a argumentação de uma associação traria melhores margens. 

No entanto, o relacionamento entre Estácio e Kroton é marcado por alguns atropelos desde o fim de 2013, quando as companhias disputaram a Anhanguera. Segundo fontes do setor, o GP Investimentos, maior acionista da Estácio na época, tomou a iniciativa de procurar a Anhanguera propondo uma fusão, mas no meio das negociações, sem aviso prévio, teria fechado com a Kroton. 

E, na semana passada, a Estácio só ficou sabendo das intenções da concorrente por meio da imprensa e de fato relevante publicado pela Kroton. A Estácio publicou, logo na sequência, comunicado informando que desconhecia a oferta. Ainda, segundo fontes, a ideia da Kroton era esperar até o fim deste mês para que o novo conselho da Estácio, que acabou de tomar posse, tivesse tempo para se inteirar da companhia carioca. 

Segundo fontes, a Estácio contratou o BTG e o Mattos Filhos para assessorá­-la neste processo.


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