Sign In

   

Processo de seleção adota plataformas tecnológicas

19Ago2016Aug19,2016
Valor Econômico
Processo de seleção adota plataformas tecnológicas

Ambientes interativos, redes sociais, games, hackathons (maratonas de programação) e aplicativos são os novos ingredientes das equipes de recrutamento e seleção de talentos para atrair candidatos aos programas de trainee. Nos últimos dois anos, os processos seletivos de trainee passaram a integrar estratégias de comunicação que privilegiam as plataformas digitais, com o objetivo de buscar um maior alinhamento com a geração Y, também conhecida como geração do milênio. 

Mas os especialistas em recursos humanos alertam as empresas que o caminho digital exige equipes dedicadas para manter o ambiente on-line vivo e que a exposição traz desafios, exigindo mais transparência e jogo de cintura.Alexia Franco, sócia diretora do Unique Group, diz que a interatividade é um atrativo nos processos de seleção de trainees, mas as empresas precisam se preparar para acompanhar essa interatividade.

"É preciso ter uma equipe dedicada para responder a dúvidas e observar o comportamento do grupo. Não é uma alternativa que se alimenta sozinha. A empresa também tem que ter consciência de que ficará mais exposta e precisa ter segurança para se posicionar em caso de feeds negativos, conduzindo isso de forma positiva", detalha Alexia.

O escritório de advocacia Mattos Filho fez, há cerca de dois anos, esse mergulho no ambiente digital para atrair estagiários e trainees. José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio-diretor do escritório, diz que o maior ganho do Programa Jovens Talentos é ter um canal de comunicação mais eficiente com os estudantes de direito. O programa seleciona candidatos uma vez por ano, com etapas de agosto a novembro. "Efetivamos mais de 80% dos estagiários e trainees, portanto, é importante que esses candidatos estejam muito bem informados sobre o escritório, nossa forma de atuação e valores. As redes sociais foram integradas ao nosso processo de seleção há dois anos, por percebermos que os jovens gostam muito desses canais, o que aprimora nossa capacidade de comunicação, mas é preciso que a empresa goste de se comunicar, como nós", diz Queiroz.

Além de ter um site dedicado, o programa apresenta desdobramentos no Twitter e no Facebook, onde há vídeos de sócios do escritório com mais de oito mil visualizações. O escritório também faz chats com os candidatos para tirar dúvidas. Os candidatos que passam pelas primeiras etapas ganham acesso a um aplicativo para a troca de informações e acompanhamento das próximas etapas.

Na Deloitte, o futuro trainee ganha acesso a um game, que faz parte do programa Seu Futuro na Deloitte. Renata Muramoto, sócia-líder da área de talent da Deloitte, explica que o game simula situações do dia da dia da empresa e que é mais uma ferramenta do processo de seleção, que integra Facebook, LinkedIn, Instagram e um website.

"No ambiente virtual, o candidato a trainee se cadastra no programa, experimenta nossa dinâmica de trabalho e faz algumas provas", explica Renata. De acordo com ela, o uso das plataformas digitais aumentou de 30% a 50% o grau de adesão ao processo seletivo de trainees em comparação ao período em que a empresa usava apenas recursos tradicionais, como participação em feiras e palestras dirigidas a estudantes. Renata alerta que é preciso desenvolver uma estratégia que seja aderente ao público­alvo da
seleção.

A busca por uma mudança de cultura para aumentar a retenção de talentos levou a CI&T, especialista global de soluções digitais, a destinar uma área específica para trainees em seus hackathons, uma espécie de maratona de programação em que os participantes têm que cumprir um determinado desafio em um prazo limite. Carla Borges, coordenadora global de Recursos Humanos da CI&T, diz que, em 2015, cerca de 200 jovens participaram da etapa final, que incluía o desafio de programação.

"No evento, que faz parte do nosso processo seletivo de todos os perfis profissionais, os trainees ganham um acompanhamento especial do nosso time de profissionais. O jovem tem a oportunidade de mostrar, em um ambiente espontâneo, o que ele pode, de fato, fazer. Isso traz aderência à nossa cultura e diminui o turnover".
Ver notícias do escritório