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Petrobras abre caminho para novos operadores

26Mai2017May26,2017
Óleo e Gás
Valor Econômico
Por André Ramalho e Rodrigo Polito | Do Rio

26/05/2017 às 05h00

Ao manifestar interesse de ser operadora em Peroba, Alto de Cabo Frio Central e na área da União adjacente ao campo de Sapinhoá, a Petrobras abriu caminho para que outras petroleiras disputem a operação de cinco das oito áreas do pré-sal oferecidas nas rodadas de 2017. Entre a lista de ativos não priorizados pela estatal estão Pau Brasil e Alto de Cabo Frio Oeste e as áreas unitizáveis de Carcará, Gato do Mato e Tartaruga Verde.

Especialistas consultados pelo Valor acreditam que o cenário mais provável é que haja concorrência entre as grandes petroleiras por essas áreas. Por outro lado, no caso dos ativos sobre as quais a Petrobras exerceu direito de preferência, a expectativa do mercado é que apenas um consórcio se forme, tendo a Petrobras como líder, a exemplo do ocorrido no 1º leilão de partilha, de Libra, em 2013.
"Existe probabilidade baixa de que as grandes petroleiras entrem para competir com a Petrobras nas áreas onde ela exerceu a preferência pela operação. O interesse maior das empresas é se associar à Petrobras, dada a expertise da estatal em operar o pré-sal", diz o diretor executivo da Accenture Energy Strategy, Matheus Nogueira.

Paulo Valois, sócio do escritório Schmidt, Valois, Miranda, Ferreira & Agel, aponta os chineses, com recursos financeiros, como possíveis sócios da petroleira brasileira.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, por sua vez, disse que espera "uma boa competição" nos leilões. "Recentemente estive em dois eventos internacionais e quero dizer que a manifestação de interesse nas áreas brasileiras foi muito grande", disse, ao ser questionado sobre a possibilidade de não haver formação de mais de um consórcio nas áreas onde a estatal exerceu direito pela operação.

Na lista de potenciais candidatas ao pré-sal estão empresas como Shell, Statoil e ExxonMobil, que sinalizaram nos últimos meses intenção de participar das rodadas, além da Total, que adquiriu, da Petrobras, 35% do campo de Lapa. Segundo Nogueira, Shell e Total levam "alguma vantagem competitiva" porque já acumulam experiência no pré-sal, em Libra.

Embora Parente tenha dito que o fato de exercer a preferência por algumas áreas não impeça a estatal de entrar na disputa por outras, Giovani Loss, sócio responsável pela área de óleo e gás do escritório Mattos Filho, não acredita que a empresa dispute as cinco áreas para as quais não exerceu a preferência. "Não faria muito sentido. Se ela tivesse interesse na área mesmo, ela deveria exercer o direito".
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