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​Para especialistas, certame vai estimular investimentos e empregos no setor

12Set2018Sep12,2018
Infraestrutura e Energia; Óleo e Gás
O Globo

Tendência de alta da cotação internacional do petróleo pode favorecer a revisão da cessão onerosa

Por Bruno Rosa

O leilão das reservas excedentes da chamada cessão onerosa é considerado por especialistas uma das melhores oportunidades em termos de arrecadação da história do setor de petróleo e gás para o governo. Além das estimativas do Ministério de Minas e Energia (MME) de um potencial de até R$ 100 bilhões para os cofres públicos, a venda de áreas de exploração cria novas oportunidades de investimentos para as petroleiras.

Segundo Giovani Loss, especialista em petróleo e gás e sócio do escritório Mattos Filho, a realização do certame é ainda mais importante no atual momento da economia, que ainda sofre os reflexos da crise dos últimos anos e da incerteza em relação às eleições. Para ele, o país não pode perder a oportunidade de vender novos blocos no pré-sal no momento em que o preço internacional da commodity está em trajetória de alta, já cotado acima de US$ 70:

- Esse leilão será importante para a economia como um todo. Vai ajudar a impulsionar a atividade do setor, com mais encomendas e empregos. Não podemos deixar de aproveitar os preços altos do barril como nos últimos anos, quando as rodadas (leilões) ficaram paradas com a discussão do marco regulatório.

Segundo Maurício Cañedo, da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas, o leilão vem em um momento importante para desenvolver o setor, que sofreu com a redução dos projetos da Petrobras nos últimos anos: Isso vai ajudar a indústria a criar novos empregos. Haverá mais royalties, o que deve ajudar cidades e estados em arrecadação.

No entanto, John Forman, da consultoria JF, acredita que a negociação entre o governo e a Petrobras para a revisão do contrato de cessão onerosa, essencial para o leilão, ainda vai levar alguns meses. Isso porque, avalia, a União pode se beneficiar com a alta mais acentuada do preço do petróleo.

Forman lembra que, quando o acordo foi assinado, em 2010, o barril do petróleo estava no patamar de US$ 100. Depois, caiu a menos de US$ 50 e, hoje, está subindo novamente. Por isso, diz, quanto maior a cotação, menos a União terá de pagar à Petrobras a título de indenização por causa da queda dos preços:

- Mas ainda há muita incerteza por conta da eleição. Dependendo de quem ganhar, tudo pode mudar.
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