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Pacote de Trump não altera, por ora, interesse de estrangeiros no Brasil

22Nov2016Nov22,2016
Infraestrutura e Energia
Valor Econômico
Pacote de Trump não altera, por ora, interesse de estrangeiros no Brasil

Da redação

​Os planos do presidente eleito nos Estados Unidos Donald Trump de investir em torno de US$ 1 trilhão em infraestrutura no país ­ em um modelo ainda não detalhado ­ não altera, a princípio, a decisão de empresas estrangeiras de entrarem em projetos do setor no Brasil. Companhias como o mexicano Grupo Aeroportuario del Pacifico (GAP) e a espanhola Acciona reforçam o interesse no mercado brasileiro, mesmo com as sinalizações do futuro governo Trump.
O GAP, que estuda entrar no leilão dos quatro aeroportos federais em 2017, disse ao Valor que analisa oportunidades na América Latina, não existindo nada relacionado aos EUA por ora. Na mesma linha, André Clark Juliano, presidente da Acciona no Brasil, braço regional do grupo espanhol, afirma que o Brasil continuará sendo uma geografia estratégica onde a empresa não deixará de avaliar projetos. 

Eduardo Centola, sócio do banco Modal, que assessora vários clientes estrangeiros, pondera que são cenários diferentes. "O interesse de alguns grupos está inserido em projetos comerciais de longo prazo entre os países, como entre China e Brasil", disse. O Modal é assessor financeiro da China Communications Construction Company (CCCC), conglomerado chinês de infraestrutura, equipamentos pesados e serviços de dragagem que tem como
meta atuar em concessões e projetos privados de infraestrutura de
transportes.

Em tese, executivos e especialistas concordam que o capital é global e que o investidor está sempre à procura do melhor investimento possível para alocar seus recursos. Mesmo o presidente da Acciona ponderou, após reforçar o interesse no Brasil, que na nova condição geopolítica mundial o país terá de "ir além" para competir por capital de longo prazo em seus projetos. O que significa colocar "o investidor de longo prazo no centro de sua estratégia de
estruturação de projetos de infraestrutura".

Há, porém, uma série de fatores que, colocados na balança, minimizam essa concorrência direta entre um programa americano e brasileiro voltado para a infraestrutura. O primeiro deles é a incerteza sobre o que virá dos Estados Unidos, e se virá, após 20 de janeiro, quando Trump toma posse: não há um modelo detalhado. Ainda não está claro, por exemplo, se o governo americano vai estruturar um pacote que englobará aeroportos, se será voltado para rodovias, ou mesmo se o modelo será de concessões ou mais
pautado em obra pública.

Bruno Werneck, do escritório Mattos Filho, que também trabalha para estrangeiros de olho no Brasil, diz que se trata de "um concorrente de peso para o investidor estrangeiro que estamos tentando alcançar", mas pondera que o que pode ajudar o Brasil é o fato de o país oferecer taxas de retorno maiores.

Um executivo de uma grande empresa estrangeira que já está no Brasil falou, sob condição de anonimato, que ainda não vê movimento no sentido de fuga de interesse daqui para os EUA no grupo em que atua. Ele concorda que um pacote robusto nos EUA pode desequilibrar um pouco o mercado. Mas "nada a que, se estivermos atentos, não possamos reagir".

Especialistas também destacam a grande quantidade de capital estrangeiro em busca de projetos. E é justamente aí, avaliam, que residem os verdadeiros desafios do Brasil: colocar de pé concessões que ofereçam retorno condizente com os riscos e que deem segurança jurídica. "Se a gente mantivesse o foco em resolver para valer as dificuldades que temos aqui, seríamos um destino bastante atrativo a despeito de outros países concorrendo", diz Werneck.
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