Sign In

   

Oferta restrita de ações deixa pessoa física de fora

23Out2017Oct23,2017
Mercado de capitais
Valor Econômico

Por Carolina Mandl | De São Paulo

Pessoas físicas que quiseram participar de ofertas de ações neste ano tiveram que comprar os papéis em IPOs. Isso porque os cerca de R$ 18 bilhões em vendas de ações feitas por companhias já listadas na bolsa de valores se deram por meio de ofertas públicas com esforços restritos, uma modalidade de transação que impede a colocação dos papéis para investidores de varejo.

Lançadas pelas Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2014, as ofertas restritas de ações se consolidaram como a principal ferramenta para as vendas subsequentes de papéis. Isso porque permitem que as ofertas sejam feitas num prazo mais curto e a custo mais baixo. Desde 2009, essas ofertas já existiam para debêntures.

Por esse tipo de oferta, os bancos coordenadores só podem mostrar a operação para um número máximo de 75 investidores institucionais, e só 50 deles podem efetivamente comprar as ações. Essa limitação, porém, existe apenas para investidores no Brasil. No exterior, portanto, a companhia pode vender as ações para um número ilimitado de compradores.

"As ofertas restritas se transformaram na principal forma de se fazer ofertas de ações para companhias já listadas porque, na prática, conseguem atingir o mesmo público que uma oferta tradicional", diz a advogada da área de mercado de capitais Vanessa Fiusa, sócia do Mattos Filho.

Pela regulação, as ofertas restritas só não podem ser vendidas para investidores de varejo, que costumam abocanhar um percentual menor das operações.

Neste ano, apenas a companhia de energia Eneva fez uma oferta subsequente de ações que permitia a entrada de varejo. O objetivo da companhia era fazer uma reestreia na bolsa de valores, por isso a opção por uma oferta tradicional. De acordo com o anúncio de encerramento da oferta publicado na sexta-feira, apenas 1,5% dos papéis vendidos ficou com pessoas físicas. Foram 261 investidores de pequeno porte.

Ver notícias do escritório