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​Nomeação de Castello Branco à presidência da Petrobras agrada ao mercado

22Nov2018Nov22,2018
Óleo e Gás; Infraestrutura e Energia
Folha de S.Paulo

Economista é defensor de privatizações e já fez parte do conselho de administração da estatal em 2015

Por Nicola Pamplona e Taís Hirata

A nomeação do economista Roberto Castello Branco como novo presidente da Petrobras no governo eleito de Jair Bolsonaro (PSL) foi bem recebida pelo mercado nesta segunda-feira (19). 

Defensor da privatização de estatais, executivo já fez parte do conselho de administração da empresa em 2015. Com pós-doutorado pela Universidade de Chicago, ele já foi diretor do Banco Central e da Vale e, hoje, é professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"É muito respeitado pelo mercado. Conhecido por ser extremamente competente, muito trabalhador, exigente, ético, sério, humilde no trato das pessoas e admirado por essas qualidades. O nome cai bastante bem para os investidores", avalia Pablo Spyer, da corretora Mirae. 
 
A expectativa é que Castello Branco dê continuidade ao plano de desinvestimentos da estatal e à política de preços dos combustíveis acompanhando a paridade internacional, segundo Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). 

"Excelente indicação. Primeiro porque mostra que a meritocracia prevaleceu, já que não foi escolha política", disse. 

"O Ivan [Monteiro, atual presidente da estatal] foi atropelado pela greve dos caminhoneiros e pela liminar do STF [Supremo Tribunal Federal] que suspendeu a venda de ativos. Com Roberto, espero retomada do programa de venda, de maneira mais consistente, e foco no downstream, com a negociação de dutos, refinarias e até da BR Distribuidora", afirmou Pires. 

A nomeação de um nome mais técnico deverá reduzir a capacidade de influência da ala mais estatizante do governo Bolsonaro, segundo Giovani Loss, sócio de óleo e gás do escritório Mattos Filho. 

Para ele, a indicação é positiva pelo viés liberal do futuro presidente, mas também por sua experiência prévia no comando da estatal.

"Ele já tem noção dos processos internos da empresa. Certamente o mercado vai reagir de forma positiva", diz. 

Castello Branco chegou ao conselho da Petrobras em 2015 por indicação do ex-presidente da mineradora, Murilo Ferreira, que havia sido nomeado por Dilma Rousseff para presidir o conselho da petroleira estatal. 

Deixou a empresa com críticas ao ritmo das mudanças na gestão da estatal, que vivia momento agudo da crise pós-Lava Jato. Considerava na época que as propostas de reestruturação interna e de venda de ativos eram tímidas.

Em artigo publicado na Folha em julho, após a criação do programa de subvenção ao diesel, em meio à críticas à concessão de subsídios ao preço dos combustíveis, defendeu a privatização da Petrobras.  
"É inaceitável manter centenas de bilhões de dólares alocados a empresas estatais em atividades que podem ser desempenhadas pela iniciativa privada, enquanto o Estado não tem dinheiro para cumprir obrigações básicas, como saúde, educação e segurança pública", escreveu.

No fim de outubro, a Folha informou que Castello Branco era o mais cotado para assumir a presidência da Petrobras.

A definição do nome chegou a gerar disputa entre autoridades do futuro governo. Enquanto Guedes defendia a indicação de Castello Branco, o vice-presidente eleito, General Hamilton Mourão, demonstrava preferência por um nome da área militar no comando da estatal.

Castello Branco é amigo de Paulo Guedes desde a década de 1980, quando Guedes presidiu o Ibmec, rede ensino que ele fundou.
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