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Kroton prepara arsenal para defender fusão

6Abr2017Apr6,2017
Direito concorrencial
Valor Econômico
Por Beth Koike | De São Paulo
(Colaborou Laura Ignácio)

06/04/2017 às 05h00

As ações de Kroton e Estácio oscilaram entre as maiores altas do Ibovespa durante o pregão de ontem. Isso porque a percepção dos investidores é que a fusão das duas maiores companhias de educação do país tem mais chances de ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) devido a dois novos fatores: a Kroton montou uma equipe de peso para defender o negócio junto à autarquia antitruste; e possíveis resistências à fusão, vindas de dentro da Estácio, foram enterradas de vez, após o vazamento dos e-mails em que o presidente da Estácio, Pedro Thompson, traçava estratégias para barrar a fusão.

Na semana passada, durante apresentação do balanço do ano passado para cerca de 20 acionistas e investidores estrangeiros, em Nova York, Thompson e o presidente do conselho da Estácio, João Cox, foram questionados sobre a troca de e-mails. Thompson admitiu a veracidade das mensagens, mas pontuou que se tratava apenas de cenários alternativos caso o negócio não fosse concretizado. Sua argumentação causou certo constrangimento entre os ouvintes, de acordo com duas fontes. Mas, por outro lado, a percepção é que de agora em diante ficou praticamente impossível qualquer tentativa de minar a fusão.

A equipe montada pela Kroton para que a fusão seja aprovada no Cade é formada por vários notórios. Segundo fontes, a companhia passou a ser assessorada pelo ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Em dezembro, Cardozo tornou-se sócio do escritório CM Advogados que está trabalhando m conjunto com o escritório BMA - Barbosa Müssnich Aragão.

Além disso, a Kroton está contratando um economista de renome para montar um parecer financeiro para apresentar aos conselheiros do tribunal do Cade. A ideia é que a companhia tenha subsídios suficientes para atender, principalmente, a demanda da relatora da autarquia, a economista Cristiane Alckmin, que costuma ser exigente em dados de mercado e impactos financeiros, segundo fontes.

O time montado pela líder do setor de ensino conta ainda com outros dois nomes de peso em direito concorrencial: os advogados Carlos Ragazzo e Ana Frazão, superintendente e relatora do Cade, respectivamente, na época da fusão entre Kroton e Anhanguera.
O processo da fusão entre Kroton e Estácio envolve ainda outros escritórios de advocacia de prestígio que foram contratados por grupos de ensino concorrentes. No total, há mais de 40 advogados trabalhando no caso.

A Ser Educacional é representada pelos advogados do Sampaio Ferraz e também contratou parecer do ex-presidente do Cade, Gesner Oliveira. A Laureate trabalha com o escritório Pereira Neto-Macedo. A Anima, com o Koury Lopes.

A Estácio tem ao seu lado o Mattos Filho. A Demarest, que também era o escritório do grupo carioca, foi desligada do caso após o vazamento dos e-mails.

Ontem, Kroton e Estácio informaram que o Cade aprovou o pedido de prorrogação de 60 dias para análise do processo. É permitido ainda um segundo adiamento de prazo, de mais um mês. A decisão final pode ser anunciada até 27 de julho. (Colaborou Laura Ignácio)
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