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Injeção de recursos pelo governo em fundo garantidor de obras é bem recebida

20Jul2016Jul20,2016
Infraestrutura e Energia
Valor Econômico

Injeção de recursos pelo governo em fundo garantidor de obras é bem recebida

Da redação

A injeção de R$ 500 milhões no Fundo Garantidor de Infraestrutura (FGIE) é vista com bons olhos por especialistas do setor e do mercado de seguros. Com a finalidade de cobrir riscos não gerenciáveis, como mudanças políticas ou desastres naturais, a capitalização do FGIE deve liberar mais investimentos para as obras e incentivar o financiamento via mercado de capitais. ​

"O Fundo Garantidor de Infraestrutura é muito bem­vindo porque hoje existem riscos que não são cobertos pelo seguro­garantia, pois não são gerenciáveis. Questões ambientais ou políticas, por exemplo, não são cobertas pelas apólices e o fundo entra como um complemento", disse Carlos Frederico Ferreira, presidente da seguradora Austral. 

Atualmente, nenhum fundo ou seguro assume esses riscos, que acabam ficando sem cobertura ou assumidos pelas próprias construtoras, conforme explica Pablo Sorj, sócio de infraestrutura do escritório de advocacia Mattos Filho. Segundo ele, muitas empresas estão com dificuldade de achar no balanço espaço para cobrir esses riscos, e o acesso ao funding do mercado de capitais é limitado nessas condições.

"Nenhum investidor quer comprar debêntures e assumir o risco de construção, por exemplo. Nem o próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) faz isso", afirma o advogado. O novo desenho, com aumento da cobertura do seguro­garantia e com a participação do FGIE, pode atrair financiamento e viabilizar os projetos, na avaliação de Sorj.

Os especialistas, no entanto, não estimam o quanto o fundo pode destravar em investimentos. Conforme reportagem do Valor, a estimativa é que as garantias viabilizem um volume de investimentos 20 vezes maior. Assim, os R$ 500 milhões poderiam viabilizar R$ 10 bilhões em investimentos.

João Nogueira Batista, presidente da SwissRE Corporate Solutions, também vê com bons olhos a capitalização do FGIE e diz que o governo está indo no caminho certo, mas que outras mudanças poderiam ser feitas. Segundo Batista, flexibilizar as regras e aumentar a capacidade de resseguros disponíveis para as seguradoras brasileiras ajudaria.​

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