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Indiana Sterlite quer iniciar operação no pais ainda neste ano

26Abr2017Apr26,2017
Energia elétrica
Valor Econômico
Dona do maior deságio registrado no leilão de linhas de transmissão ontem em São Paulo, a indiana Sterlite Power Transmission Limited (SPTL), apesar de desconhecida no Brasil, é tradicional no segmento dentro do seu país. A empresa era uma divisão pertencente a Sterlite Technologies, grupo com receita anual de quase US$ 500 milhões (o equivalente a R$ 1,57 bilhão) até meados do ano passado, quando houve uma cisão com a holding, que desde então passou a se concentrar apenas no segmento de telecomunicações.

A Sterlite atua tanto como investidora em linhas de transmissão, quanto no fornecimento de cabos elétricos e sistemas de integração, e exporta produtos para cerca de 40 países. A companhia detém 29 linhas de transmissão, com cerca de 6,7 mil quilômetros de extensão, e sete subestações, na Índia. Tecnicamente, o grupo já tem atividade no Brasil. "Temos uma pequena fábrica de cabos em Curitiba, mas é tão pequena que nem contamos como presença nossa no Brasil", afirmou o presidente da Sterlite, Pratik Agarwal.

Se Agarwal não considera a "pequena fábrica" como uma presença de fato no Brasil, a entrada da companhia no país então foi surpreendente. A Sterlite Power Grid Ventures Limited, subsidiária da SPTL, roubou a cena no leilão ao oferecer receita anual permitida (RAP) de R$ 34,53 milhões, com deságio de 58,87% em relação ao teto proposto em edital, para o lote número 10. O empreendimento inclui quatro linhas de transmissão, somando 115 quilômetros, e duas subestações, no Rio Grande do Sul. O investimentos estimado é de R$ 395,3 milhões.

"Fiquei surpreso com o apetite deles. Era um dos 'players' que não estava no radar", afirmou Pablo Sorj, sócio especialista em energia do escritório Mattos Filho.

"O governo deve estar com sorriso de orelha a orelha", disse Antônio Vitelli, executivo da Retech, consultoria do setor elétrico, sobre o deságio oferecido pela Sterlite. Já para Gilberto Feldman, diretor comercial da PEC Energia, uma das concorrentes do leilão, a estratégia dos indianos é trazer equipamentos mais baratos da Índia.

Agarwal, porém, desmentiu a afirmação, argumentando que o lance com deságio de quase 60% foi fruto de "trabalho muito duro". Ele contou que o segredo da futura operação no país será centrada "em engenharia eficiente com alta tecnologia para finalizar os projetos dentro do tempo e do orçamento, não temos estratégia de importar equipamentos, as taxas fazem com que não seja uma operação viável".

O executivo também afirmou ao Valor que considera o mercado brasileiro "organizado", mas ainda mantém uma postura cautelosa, apesar do lance agressivo. "É um bom momento para estar no Brasil. É preciso esperar como a situação política vai se resolver, não temos problema com isso. Esperamos começar nossa operação com um time no país ainda neste ano."

"[A Sterlite ] é um 'player' interessante. É uma empresa que está começando [no mercado brasileiro] e já levou dois lotes", completou Lucas Rodrigues, analista de mercado do grupo Safira.
O outro lote arrematado foi o de número 15, com duas linhas de transmissão, totalizando 139 km, e duas subestações, em Pernambuco, com investimentos previsto de R$ 164 milhões.
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