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General Atlantic compra 17% da rede Pague Menos

22Dez2015Dec22,2015
Mercado de capitais
Valor Econômico

General Atlantic compra 17% da rede Pague Menos

Da redação

A varejista de farmácias Pague Menos, assinou na tarde de ontem acordo para a venda de 17% do negócio ao fundo americano General Atlantic (GA) por R$ 600 milhões. Foram cerca de seis meses de negociações, exclusivas com o fundo, que deve ter um membro no conselho de administração da empresa. 

A Pague Menos, com R$ 5 bilhões em vendas previstas para 2015, é o terceiro maior grupo de varejo de farmácias do país, atrás da Raia Drogasil e da Drogaria Pacheco São Paulo​.​

Com base no valor do lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, da sigla em inglês) da cadeia e no múltiplo aplicado a empresas semelhantes, é possível estimar que a varejista tenha sido avaliada em torno de R$ 4 bilhões, antes do aumento de capital. Do valor total, a maior fatia, de R$ 440 milhões, será obtida por meio de integralização de novas ações ordinárias de emissão da companhia e o restante, R$ 160 milhões, por meio da aquisição de ações ordinárias dos acionistas. Queirós tem 70% das ações e os filhos e a mulher, mais 20%. Os 10% restantes pertencem ao cunhado.​

Os recursos serão utilizados para capital de giro e expansão dos negócios. A rede planeja ter 1,6 mil pontos em 2021, disse ao Valor Francisco Deusmar de Queirós, presidente da varejista, após anúncio da operação. É o dobro do número atual de farmácias da rede, com 828 pontos. Em 2015, a Pague Menos abriu cerca de 90 lojas. ​

​Executivos do General Atlantic têm contato com Deusmar de Queirós há mais de cinco anos. Não havia outros fundos em negociação com a rede. Foi a única transação feita pelo General Atlantic no Brasil em 2015. Participaram da operação, representando a Pague Menos, o Lefosse Advogados e pelo lado do General Atlantic, o escritório Mattos Filho

Queirós estava sendo sondado por fundos de private equity há anos, mas ele e demais sócios não aceitavam abrir mão do controle. Sem necessidade de reforçar caixa anos atrás e com a operação em forte crescimento, as conversas não avançaram. Com o processo de concentração no setor e piora no ambiente competitivo, tornou­se mais necessário ganhos de escala, com reforço da expansão orgânica, dizem analistas. ​​

Além disso, sem a opção da oferta pública inicial de ações da rede (IPO, da sigla e inglês), projeto antigo da companhia, mas fora dos planos hoje por causa da piora do mercado, as negociações em busca de um sócio ganharam relevância. ​

"Estamos nos preparando para quando o país voltar a acelerar de novo. Em 2018, quando essa maré já tiver passado, estaremos em melhor posição com a entrada desse sócio", disse Queirós. Segundo ele, General Atlantic tem mais de US$ 2 bilhões em investimentos no país. A Pague Menos somava R$ 3,65 bilhões em receita bruta de janeiro a setembro, alta de 14% sobre 2014, e lucro líquido cresceu 49%, para R$ 93,2 milhões. 

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