Sign In

   

Empresas buscam acordo com credores

8Jan2016Jan8,2016
Mercado de capitais
Valor Econômico
​Empresas buscam acordo com credores

Da redação

Algumas companhias começam a fechar acordos com credores, em meio ao movimento de renegociação de dívidas iniciado no segundo semestre de 2015. A tendência ganhou força com o aumento dos passivos e dos índices de alavancagem das empresas, provocado sobretudo por um cenário de disparada do dólar, piora dos resultados operacionais e elevação dos juros. 

Usiminas, Oi e JHSF compõem o time daquelas que conseguiram perdão (waiver) pelo descumprimento de cláusulas contratuais de alguma dívida, também conhecidas como covenants. Lojas Americanas recebeu aval para alterar condições como vencimento e fluxo de pagamento de debêntures. 

Este é um ano de muita negociação entre credores e emissores e o processo tende a se acentuar. A expectativa é de geração de caixa mais fraca, índices de alavancagem maiores, combinado com difícil acesso ao mercado de dívida. Deve acontecer muita quebra de covenants e muita necessidade de negociação, afirma Ricardo Carvalho, diretor sênior de ratings corporativos da agência de classificação de risco de crédito Fitch Ratings. ​

A Usiminas obteve, em 31 de dezembro, dos debenturistas da sexta emissão a dispensa do cumprimento do índice financeiro dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) para o exercício de 2015. A mudança da escritura foi condicionada ao pagamento de um prêmio (waiver fee) de 0,50% e a alteração da sobretaxa dos juros dos papéis de 1% para 3,68%. A companhia encerrou o terceiro trimestre com dívida líquida equivalente a 6,8 vezes o Ebitda. O limite de alavancagem estabelecido nos contratos de financiamento é de 3,5 vezes. 

Os credores da quarta emissão de debêntures da JHSF Participações também aprovaram a alteração de índices financeiros tendo, em contrapartida, prêmio de 0,25% sobre o valor dos títulos. De acordo com a escritura da operação, a relação entre dívida líquida e patrimônio líquido não poderia ultrapassar 1 vez. Com a mudança, o índice vai para 1,15 vez no exercício de 2015. A empresa considera também prêmio condicional de 0,45% caso o índice supere 1 vez. 

​​A empresa de telefonia Oi, com grande dívida e alavancagem alta, conseguiu negociar com os investidores da oitava e da décima emissões de debêntures. Os credores aprovaram a suspensão temporária das cláusulas que limitam o volume de dívida bruta em relação ao Ebtida mediante pagamento de prêmio. O valor, no entanto, não foi informado. A empresa comprometeu­se ainda a registrar índice dívida líquida sobre Ebtida do quarto trimestre igual ou inferior a 6 vezes. A Copasa também pediu dispensa para os credores mediante prêmio de 0,1% e a proposta será votada em 14 de janeiro. 

As negociações são normalmente realizadas para que os títulos de dívida não tenham o vencimento antecipado pelo descumprimento de algumas cláusulas contratuais. 

As companhias estão buscando a reestruturação cada vez mais cedo, o que torna o processo mais rápido e barato, uma vez que o default ainda está longe, afirma Pedro Henrique Bianchi, sócio da área de reestruturação do escritório Felsberg. Segundo ele, tanto investidores como bancos estão propensos a renegociar. Em alguns casos, os bancos estão mais liberais nos covenants e mais flexíveis com alavancagem, sobretudo em casos que envolvem o impacto do câmbio. Mas, por outro lado, exigem sacrifícios como venda de ativos ou capitalização dos acionistas.

​Outras empresas fazem alterações mais profundas envolvendo vencimento e fluxo de pagamentos. A varejista Lojas Americanas, por exemplo, conseguiu aval dos debenturistas da sexta emissão para alterar o​​ vencimento de janeiro de 2017 para janeiro de 2018 e as datas de amortização para parcela única no vencimento, entre outras mudanças. A Contax também pede a alteração da periodicidade de pagamento da remuneração de uma emissão. As assembleias para deliberar sobre o tema serão realizadas neste mês. 

De acordo com Bruno Tuca, sócio da área de mercado de capitais do escritório Mattos Filho, os ajustes nos covenants financeiros são muito comuns no momento, mas a alteração do fluxo de pagamentos das emissões é menos usual por ser um processo mais complexo para negociação. "Tivemos muitas renegociações de covenants em 2011 com a valorização do real no período. O que mudou agora é o pagam​ento do prêmio, pouco comum no passado, mas padrão nas negociações atuais", completa.

Para Rafael Noya, diretor de área de mercado de dívida do Santander Brasil, a expectativa é que os prêmios cobrados sejam cada vez mais altos, dada a maior percepção de risco por parte dos investidores. Junto com o prêmio, Noya destaca as exigências de garantias adicionais para a manutenção das dívidas.​​
Ver notícias do escritório