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Emissões locais crescem no fim do ano

28Dez2015Dec28,2015
Mercado de capitais
Valor Econômico

​Emissões locais crescem no fim do ano

Da redação

​Após um ano fraco em captações de dívida locais, as companhias aproveitam as últimas semanas de 2015 para levantar caixa e ajustar as demonstrações financeiras de 2015. Desde o início de dezembro já foram levantados R$ 4,76 bilhões em 15 emissões de debêntures e mais R$ 2,88 bilhões estão em andamento. Para se ter ideia do aumento do volume, em novembro apenas R$ 275 milhões foram captados. 

​Além desse total, uma grande operação de R$ 5 bilhões foi feita pela NCF Participações, holding que faz parte da estrutura de controle do Bradesco. 

O fim do ano é normalmente mais movimentado porque as empresas aproveitam os últimos momentos para melhorar o perfil da dívida do balanço consolidado de 12 meses, quando emitem dívidas novas para recomprar as antigas. "Além da sazonalidade, há um movimento adicional, porque as companhias não conseguiram emitir nos meses anteriores e estão aproveitando a janela", afirma Alexei Bonamin, sócio da área de mercado de capitais de Tozzini Freire Advogados. 

​Entre as principais operações concluídas no mês está a oferta de R$ 750 milhões da Votorantim Cimentos, a de quase R$ 600 milhões da Comgás e a do mesmo valor da AES Tietê. A CCR também conseguiu levantar R$ 400 milhões no mercado local e a Cedae, R$ 200 milhões. Em andamento estão a emissão de R$ 1,6 bilhão da Cemig, de R$ 500 milhões da Sabesp e de R$ 311 milhões da Qualicorp, entre outras. 

​​A alteração do cenário político também pode ser um motivo adicional a levar empresas a antecipar captações, na opinião de Bruno Tuca, sócio do escritório Mattos Filho. "A mudança da chefia do Ministério da Fazenda de Joaquim Levy para Nelson Barbosa criou mais insegurança. Não se sabe como vai ser a atuação do novo ministro. Acredito que a taxa de juros vai subir, assim como os spreads, deixando as captações ainda mais caras no próximo ano", diz Tuca. 

Outros instrumentos também são usados pelas companhias para levantar recursos. O Pão de Açúcar prepara uma emissão de R$ 500 milhões em notas promissórias e a Eletropaulo, depois de levantar R$ 320 milhões com debêntures, busca mais R$ 300 milhões com linhas e certificados de crédito bancário. A Vale anunciou também que o Banco de Desenvolvimento Africano tem a intenção de prover até US$ 300 milhões no 'project finance' do Corredor Logístico de Nacala (CLN).​​​​​

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