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Emissão de debêntures em dezembro foi pequena, mas superou R$ 7 bilhões

8Jan2016Jan8,2016
Mercado de capitais
DCI
​​Emissão de debêntures em dezembro foi pequena, mas superou R$ 7 bilhões

Por Ernani Fagundes

Dados preliminares da Anbima mostram que a captação de recursos por empresas via ofertas de dívida doméstica em 2015 fechou no menor patamar desde a crise econômica mundial de 2008

São Paulo - A emissão de dívida corporativa (debêntures e notas) no mercado de capitais superou R$ 7 bilhões em dezembro, segundo dados preliminares da Anbima. O volume é considerado pequeno e assinala a posição das empresas de captarem pouco para investir.

Na avaliação de escritórios que acompanham essas operações, a captação via dívida corporativa no mercado de capitais em 2015 "foi muito ruim", reflexo do aumento dos juros, o que diminuiu a intenção das empresas de financiarem novos projetos.

De acordo com os dados preliminares até ontem da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o volume captado via emissão de dívida corporativa no mercado doméstico está em torno de R$ 100 bilhões, o menor patamar desde a crise econômica global em 2008.

"Não há um cenário positivo para 2016. A taxa de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) pode cair para 17,5% na projeção mais otimista do governo. Os economistas falam em taxas de 15% ou 16% do PIB. Isso seria muito ruim para investimentos em novos projetos como infraestrutura. Não dá para falar em debêntures, sem novos projetos", diz o sócio do setor societário do escritório Siqueira Castro, Leonardo Cotta Pereira.

Mas por outro ângulo, Pereira aponta que o governo pretende estimular o Programa de Investimento em Logística (PIL), principalmente no setor portuário, o que em teoria, pode incentivar a emissão de debêntures de infraestrutura. "Nos demais setores, a economia não vai bem", argumenta o sócio.

Um pouco menos pessimista, o sócio do escritório Mattos Filho, Bruno Tuca, aponta que as companhias estão buscando estruturas com juros mais baixos. "Houve um aumento aqui no escritório de pedidos para operações estruturadas em CRIs [certificados de recebíveis imobiliários], CRAs [certificados de recebíveis do agronegócio] que possuem incentivos fiscais [isenção do imposto renda para os investidores]. E a procura por operações em FIDCs [direitos creditórios], que dependendo do caso se consegue um rating [nota de risco de crédito] melhor", argumentou Tuca.

Ou seja, nessas operações mais estruturadas com recebíveis e direitos creditórios, há possibilidade de um custo menor [em juros] para o emissor. "As debêntures de infraestrutura também tem incentivos fiscais", lembrou o sócio.

Em dezembro, a Anbima registrou ofertas de debêntures de infraestrutura da AES Tietê (R$ 301,76 milhões) e da Comgás, R$ 591,89 milhões em três séries de vencimento para 2020, 2022 e 2025.

Mas Bruno Tuca segue menos esperançoso com novas ofertas de debêntures comuns e de notas promissórias em 2016. "O cenário tende a não melhorar muito em relação a 2015. Os juros estão muito altos e a inflação também", diz.

Em dezembro último só ocorreram operações pontuais, como a oferta restrita (ICVM 476) de R$ 5 bilhões realizada pela NCF Participações (empresa de acionistas controladores do Bradesco). Os papéis com prazo de cinco anos foram absorvidos pelo Banco do Brasil (coordenador líder da oferta), remunerado a taxa de 108% do depósito interfinanceiro (DI), segundo fontes consultadas do mercado de capitais.

Além dessa grande operação, outras ofertas com volumes menores ocorreram ao longo de dezembro e até na última semana do ano, no intervalo entre as festas do Natal e do Ano Novo de 2016.

A companhia Centrais Eólicas de Caetité emitiu papéis no montante de R$ 33,5 milhões, e a União Química Farmacêutica lançou uma série com R$ 30,5 milhões, e outra série de R$ 169,50 milhões.

Saneamento básico

O Santander Brasil atuou como coordenador líder para três companhias de saneamento estaduais. A Sabesp - em período de obras de abastecimento para ajudar os reservatórios do Sistema Cantareira - emitiu novas dívidas no mercado, de R$ 500 milhões.

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae-RJ) emitiu R$ 200 milhões, e a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) ofertou R$ 200 milhões em 28 de dezembro, e mais R$ 100 milhões em 5 de janeiro.

"Como essas operações foram realizadas no final do ano [28 de dezembro], dá a impressão que as companhias de saneamento fizeram a captação para o fechamento das contas de 2015", comentou Adriana Cardinali, advogada do escritório Straube Advogados.

Na visão do sócio do escritório Mattos Filho, Bruno Tuca, mesmo ofertas restritas e mais rápidas (ICVM 476) como as realizadas pelas companhias de saneamento no finalzinho de 2015 levam pelo menos 15 semanas para serem concluídas. "São operações que exigem planejamento, não são feitas a toque de caixa", diz.
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