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"É preciso discutir o País que queremos ser e onde o Estado precisa estar", diz José Eduardo Carneiro Queiroz

30Out2017Oct30,2017
Societário/M&A; Mercado de capitais
O Estado de S. Paulo

Mônica Scaramuzzo

A expectativa de crescimento para 2018 poderia ser maior. Para José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio-diretor do escritório Mattos Filho, enquanto o País não tiver uma liderança capaz de conduzir mudanças estruturais relevantes para o Brasil e discutir onde o País precisa estar, o cenário econômico e político terá avanços muito menores do que poderia ter. "Mesmo com a retomada da economia, em um cenário de inflação baixa e queda de juros, teremos uma recomposição parcial das quedas dos últimos anos." 

Há expectativa de retomada econômica e o mercado de capitais reagindo. O sr. vê com otimismo esse movimento?

Vejo os investidores globais mais seletivos, mas considerando o Brasil como um bom investimento. O País tem potencial para crescer muito mais do que os índices atuais. Mas, para isso, tem de ter projeto para o Brasil.

O sr. vê um cenário político incerto para 2018?

O cenário político ainda é incerto, mas não vejo espaço para agendas econômicas que nos desviem de alguns ajustes importantes. A boa notícia é que o Brasil não vai deixar de ficar entre as dez maiores economias do mundo, mas para resolver nossos problemas estruturais é preciso pensar um projeto para o País. É preciso discutir que País queremos ser e onde o Estado precisa estar. O debate ficou pobre. Não falo apenas de novas lideranças políticas, mas empresariais e intelectuais também.

Os empresários estão mais engajados?

Há vários movimentos que têm atraído empresários para debater temas da gestão pública. Mas é preciso avançar mais, ter um engajamento maior. Ainda falta unidade e mais vozes que falem sobre um projeto de País. Olavo Setúbal e Antônio Ermírio de Moraes foram bons exemplos do setor privado nesse tipo de debate.

Por falar em setor privado, há movimentos importantes de fusões e aquisições. Continuarão firmes em 2018?

Há movimentos de fundos de private equity interessantes, e setores, como saúde e consumo, que podem ter investimentos. O tamanho da nossa economia e a relevância do mercado interno farão com que continuemos a ter movimento em fusões e aquisições.

E qual é o futuro do Mattos Filho para os próximos anos?

O escritório que está completando seus 25 anos quer ter posição de liderança em todas as áreas que atua. Já temos áreas tradicionais e fortes há muitos anos, mas temos conseguido fazer com que áreas mais novas também se fixem como líderes. O grande esforço é para fazer que todas as nossas frentes de atuação e nossos profissionais trabalhem de forma articulada para dar o melhor atendimento aos nossos clientes. 

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