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CVM avalia lote suplementar para oferta com esforço restrito

26Out2015Oct26,2015
Mercado de capitais
Valor Econômico

CVM avalia lote suplementar para oferta com esforço restrito

Da redação

Depois de concluir a primeira oferta de ações com esforços restritos no país, os coordenadores da operação da Valid viveram uma noite de apreensão. Como essas ofertas não admitem o lote suplementar de ações, usado para estabilização dos preços, qual seria o comportamento das cotações no dia seguinte, quando novas ações chegariam à bolsa vendidas com desconto em relação ao preço de mercado e sem que os bancos pudessem "defender" os papéis? 

Esse ponto está sendo reavaliado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) há um ano, após uma consulta feita pelo banco Itaú BBA e pelo escritório Mattos Filho. Os bancos usam o lote suplementar para sustentar o preço das ações atendendo à demanda de eventuais vendas. Ele não foi liberado para as ofertas com esforços restritos porque entendeu­se que não seria necessário a esse tipo de colocação, destinada a um número restrito de investidores qualificados. No Brasil podem ser procurados no máximo 70 investidores e até 50 podem entrar na operação. Houve ainda preocupação de não trazer diluição extra aos atuais acionistas. O lote suplementar representa 15% das ações da oferta. 

No entanto, a questão levada à CVM é que, apesar de a oferta ser direcionada a investidores qualificados, ela pode alcançar um público de varejo por conta do direito de preferência dado aos atuais acionistas. Além disso, como observaram BM&FBovespa e Anbima na discussão, a restrição de número é para investidores brasileiros, sendo que os internacionais obedecem a regras de cada país. 

Como nas ofertas os papéis saem com desconto para atrair os investidores, elas podem estimular os "flippers", aqueles que vendem a ação no dia seguinte, para obter ganhos de curto prazo. Esse movimento pode gerar desvalorização das ações. A oferta com esforços restritos, que pode ser concluída em 15 dias, tem a característica de evitar que as ações fiquem muito tempo sob pressão na bolsa.

A Superintendência de Registros de Valores Mobiliários da CVM já se manifestou favoravelmente à liberação do lote suplementar para essas ofertas. A área técnica avaliou que o lote seria a única forma de inibir os "flippers", uma vez que a instrução que regula as operações não permite período de restrição à venda ("lock up"). Mas a palavra final será do colegiado com a autarquia. O diretor Pablo Renteria é relator do caso há um mês. 

Mesmo com a proibição do lote suplementar, no caso da Valid o desfecho foi positivo para a operação. No dia que as novas ações chegaram à bolsa, o papel subiu 6,12%, enquanto o Ibovespa recuou 2%. Sem ter ações disponíveis, os bancos "defenderam" o papel apenas conversando com os investidores sobre o valor do negócio e a importância de manter suas ações. 

"A estratégia deu certo, mais pela característica da Valid, que tem entregado resultados e teve apoio da base acionária para a operação. Mas poder atuar via estabilização dá um conforto maior para as empresas, investidores e assessores que conduzem a operação", afirma Bruno Saraiva, diretor executivo de mercado de capitais do Bank of America Merrill Lynch, que participou da oferta. Ele conta que 40% dos acionistas da Valid exerceram o direito de preferência, enquanto nas ofertas públicas essa média de adesão varia entre 12% e 15%. O apoio de atuais acionistas foi essencial para a operação, iniciada em 8 setembro, um dia antes do anúncio de que o Brasil perdeu o grau de investimento pela S&P. 

Carlos Affonso d'Albuquerque, principal executivo da Valid, conta que o mercado já estava difícil e o fato de ter de falar mais até sobre a conjuntura no Brasil aos investidores do que sobre a empresa foi um complicador para vender a operação. "Mas tivemos grande apoio dos acionistas. Fizemos a oferta de US$ 90 milhões, exatamente o que precisávamos para pagar uma aquisição no exterior", diz. A opção por testar a nova modalidade veio do desejo de, nesse momento de volatilidade, não contrair dívida em dólar. Um novo investidor estrangeiro colocou uma ordem equivalente a 25% da oferta. 

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