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"Business intelligence" está no topo das demandas corporativas

31Jan2019Jan31,2019
Valor Econômico

Por Roseli Loturco | Para o Valor, de São Paulo

30/01/2019 às 05h00

Um novo ciclo tem empurrado para o centro do mercado de trabalho profissões até então desconhecidas do grande público. E todas do mundo tecnológico digital. As posições mais demandadas em 2019 devem ser relacionadas ao business intelligence (BI), ao marketing digital, suplly chain e sales and operations execution (S&OP), segundo levantamento da consultoria Randstad.

"O BI, primeiro do ranking, tem demanda alta porque as empresas não podem errar, pois a concorrência é alta e os consumidores estão mais criteriosos na tomada de decisão", explica Winston Kim, gerente regional da Randstad no Brasil. Considerado estratégico, o BI faz análise de dados para identificar em quais produtos e serviços a empresa deve investir, com base em tendências e projeções de mercado.

Já o marketing digital, que ocupa a segunda posição, usa ferramentas de análise do comportamento do consumidor e trabalha com a experiência do usuário (UX) para analisar seu perfil e atender às suas demandas de forma mais customizada. "Voltado para públicos específicos, consegue cruzar informações e fazer campanhas direcionadas", diz Kim.

Áreas focadas na otimização da cadeia de suprimentos, que atuam para evitar perdas e melhorar o tempo de resposta e entrega, sem comprometer a qualidade, como supply chain e o sales and operations execution (S&OP), também estão em alta.

Para muitos especialistas, é natural que as novas competências venham de áreas que misturem conhecimento específico com o tecnológico digital, pois as pessoas vivem uma nova experiência de consumo que impõe isso. "A integração entre o presencial e o virtual é cada vez mais comum e as profissões têm que se adequar. Elas surgem para dar sustentação ao novo modelo de negócio. É o que chamamos de mindset digital, onde a tecnologia atravessa todas as áreas da empresa", diz Carolina Marra, vice-presidente acadêmica da Ânima Educação.

E não só as empresas estão tendo que se adaptar ao novo cenário. As escolas também. "Vimos que novas competências, como a forma de se comunicar, a atitude empreendedora e a abertura ao aprendizado são valorizadas pelas empresas. As competências sócio-emocionais e a colaboração são importantes por conta da tecnologia compartilhada", afirma Carolina.

Mas nem todos apostam que daqui dez anos essas profissões ainda estarão em alta. Hoje elas são fundamentais porque as empresas estão passando pela transformação digital. "Mas não diria que elas devem aparecer em um ranking em 2029", arrisca Eduardo Senise, diretor de educação continuada, da Estácio. Para ele, daqui uma década, especializações ligadas a nanotecnologia, bioengenharia e inteligência artificial é que terão vez. "Grandes analistas de BI e de marketing digital são fundamentais hoje. Mas, à medida que os novos ciclos vão se impondo, eles devem enfraquecer", acredita.

E, diante de tanta inovação, a dúvida é: como ficam profissões tradicionais como direito, engenharia, contabilidade e medicina? A resposta vem de um dos grandes escritórios jurídicos do país, o Mattos Filho Advogados. A solução encontrada foi híbrida. Como depende de conhecimento especializado em cada uma de suas áreas, o Mattos Filho resolveu combinar BI com advocacia.

Na área de gestão do conhecimento, vem utilizando advogados com grande conhecimento de tecnologia para fazer análises de dados e gerar informações estratégicas para os negócios. "O que queremos é agregar valor à advocacia. Uma alternativa é capacitar os nossos profissionais, desenvolvendo provas de conceitos para aplicá-las no escritório. É importante, neste caso, que ele conheça bem as terminologias e os processos jurídicos", explica Leonardo Bruno Brandileone, diretor de tecnologia e conhecimento do Mattos Filho. Para o executivo, o futuro está nessa combinação. "Na minha equipe, 20 pessoas da diretoria de tecnologia formadas em direito deixaram a prática profissional para se dedicar à tecnologia. Isso é o melhor do que eu poderia ter", indica Brandileone.

O escritório, que conta com 542 advogados e 145 trainees, prefere formar as pessoas dessas áreas internamente. Para isso, se vale também da academia Mattos Filho, por meio da qual dá treinamentos e convida palestrantes não só da área jurídica, mas também de outros ramos.

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