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Brasil precisa de projeto, afirma advogado

14Mar2016Mar14,2016
Folha de S.Paulo
Brasil precisa de projeto, afirma advogado

JOANA CUNHA
DE SÃO PAULO

José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio-diretor do escritório de advocacia Mattos Filho, um dos maiores do país, o Brasil deve começar a pensar em um projeto mínimo de futuro.

Folha - Como o sr. vê os protestos?
José Eduardo Carneiro Queiroz - Com normalidade, especialmente no momento que estamos vivendo. Cada grupo vai se manifestar e a partir disso surgirão indicações sobre qual é o caminho na ótica da população. Mesmo numa fase posterior, após definido um projeto de futuro para o país, poderemos continuar a conviver com manifestações. Dão legitimidade ao processo democrático. Veja o que está acontecendo na França. Por causa da proposta de reforma da legislação trabalhista, sobre a qual após muito debate parece haver certa concordância, mas que implicará na mudança de direitos e transformação de expectativas, está havendo grandes manifestações populares. Para caminharmos numa agenda de construção, teremos que fazer mudanças que suscitarão debates e, provavelmente, manifestações. Mostra que as pessoas querem ser ouvidas.

Os empresários já começaram a pensar o país além da crise?
O Brasil tem condições de ser um país relevante no cenário mundial: mercado consumidor grande, empresas organizadas e percepção de oportunidade de investimento. Mas temos de construir um acordo sobre o que queremos para o país no médio e longo prazos e como chegar lá. Para podermos aproveitar o potencial, precisaremos construir um projeto mínimo sobre como e para onde caminharemos. Para conseguirmos fazer os ajustes necessários e voltarmos para uma espiral de desenvolvimento, será necessária a participação de lideranças de todos os segmentos da sociedade.

Há líderes no setor privado que podem contribuir?
Não tenho dúvida. Em muitos momentos da nossa história, tivemos contribuição de pessoas do setor privado para ajudar na formulação de soluções. É uma contribuição saudável que pode levar experiências da iniciativa privada para serem aplicadas no setor público. Temos empresários e pessoas da iniciativa privada, mas também outros grupos com contribuições que podem ser relevantes. Nas universidades há muita gente que se dedica a estudar políticas públicas, gestão do Estado. 
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