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Avaliação de trainees enfatiza aspectos comportamentais

28Ago2017Aug28,2017
O Globo
por Eduardo Vanini

27/08/2017 4:30 / Atualizado 27/08/2017 7:27

Inquietude e entrosamento são características muito reconhecidas

RIO - Sabe aquela sensação de estar sendo observado por alguém o tempo todo? No universo dos trainees e dos estagiários isso é praxe. Cada atitude, gesto e decisão pode significar um degrau acima — ou abaixo — rumo à contratação. Desde o processo seletivo, a avaliação vai muito além das aptidões esperadas de cada profissão. Se você nunca parou para pensar nisso, o momento é oportuno. Afinal, está aberta a temporada de inscrições para esses programas.

— Os processos variam de empresa para empresa, mas o objetivo, em, geral, não é que o candidato se sinta num big brother desconfortável — resume a gerente executiva da Page Talent, Manoela Costa. — Mesmo assim, é sempre bom lembrarmos que, na vida real, somos avaliados o tempo inteiro, seja por uma equipe de trabalho, pela chefia ou pelos clientes.

Dito isso, ela enfatiza o quanto os jovens precisam estar atentos aos seus comportamentos, embora jamais devam criar um “personagem”. O ideal, segundo Manoela, é sempre buscar uma organização e um cargo que combinem com o perfil de cada um. Uma pessoa tímida, por exemplo, não deve fingir ser comunicativa para conquistar uma vaga que exija esta característica. Até porque ser reprovado num processo seletivo ainda é melhor do que decepcionar a chefia posteriormente, como acrescenta a especialista.

Coerência, aliás, é fundamental. Como lembra Manoela, relatos do comportamento de cada um nos diferentes ambientes da empresa chegarão de um jeito ou de outro aos ouvidos dos gestores.

— Não adianta ser educado apenas na hora em que se entra na sala de reunião. Às vezes, a própria recepção nos reporta que o candidato teve um comportamento horrível ao chegar na companhia. E isso certamente vai influenciar na nossa observação — ilustra Manoela.

Como ela ressalta, a avaliação dessa mão de obra hoje em dia está muito mais ligada ao perfil comportamental do que ao técnico. Nos processos seletivos, são mais bem vistos aqueles participantes que se diferenciam dos demais ao demonstrarem curiosidade e interesse por novas informações, buscam estágios para ir além da aprendizagem na graduação e conseguem controlar bem a ansiedade — este, o mal do século na opinião de Manoela.

INQUIETUDE

Já para o executivo de gente e gestão da Cultura Inglesa, Eduardo Honzak, inconformismo é o termo Já para o executivo de gente e gestão da Cultura Inglesa, Eduardo Honzak, inconformismo é o termo que resume melhor o que ele busca nos jovens talentos. Para ele, esta característica é uma das maiores qualidades que um candidato pode apresentar em um programa de trainee.

— A gente quer pessoas que não fiquem numa zona de conforto. E quando o candidato demonstra que ele próprio não se contenta com isso, o valorizamos muito — diz ele.

E o acompanhamento disso, segundo Honzak, não é uma exclusividade dos gestor direto. Na empresa, os jovens profissionais também fazem contato com a alta direção, composta por pessoas que também estão atentas a esses comportamentos.

Formado em Administração, Gabriel Garcia, de 22 anos, entrou no programa de trainee da Cultura no começo do ano e está de olho nessa avaliação. Ele, inclusive, dá uma sugestão para quem deseja causar uma boa impressão.

— O maior avaliador tem que ser o próprio trainee. É preciso ter muita autocrítica para entregar os melhores resultados — reflete ele, demonstrando que a própria experiência na empresa o permitiu se aprimorar nesses aspectos. — Hoje tenho uma mistura de autonomia com responsabilidade que é muito rica. Isso faz com que pense bastante nos impactos que cada decisão minha terá sobre as pessoas.

A humildade também ajuda a fechar essa conta. Quem diz isso é a diretora de gestão de pessoas e comunicação da Energisa, Daniele Salomão.

— Muitas vezes, os trainees fazem parte de um grupo de dez pessoas aprovadas num processo disputado por oito mil candidatos — relata ela. — Mas isso não pode fazer com que se esqueçam de que estão ali para aprender.

Da mesma forma, os cuidados com a clareza na hora de se comunicar são fundamentais. Como ela descreve, é necessário se relacionar de maneira precisa com a diretoria e com os eletricistas da companhia de energia.

— Não tem espaço para soberba. Tem que ter uma linguagem correta e que seja bem assimilada por todo mundo — diz ela.

NA REAL

Por fim, Daniele lembra que os avaliadores estão de olho na maneira como os candidatos se relacionam com as pessoas, algo que tem sido desafiador para a geração atual.

— A gente nota que os jovens estão muito conectados virtualmente. Porém, na hora que são postos diante de outras pessoas numa sala, eles dão uma travada. E esse tipo de situação é fundamental no dia a dia de uma empresa. É muito importante que eles se saiam bem nas relações “ao vivo” — comenta ela.

Na hora de avaliar o potencial de um trainee, a frequência e a maneira como ele traz questionamentos para a empresa também pode contar pontos a favor, como afirma a gerente de Recrutamento e Seleção da Ambev, Priscila Waléria Costa.

— São dez meses de treinamento e a gente sempre espera que os selecionados tenham ambição de obter conhecimento e busquem novas formas de aprendizado — detalha ela. — Um comportamento em que a pessoa acha que já sabe como fazer tudo e não faz perguntas é pouco interessante. A gente espera é que eles tenham interesse em se aproximar daqueles que sabem mais para se aprimorarem.

Para ela, quando isso vem acompanhado de um bom entrosamento com a equipe, o destaque é ainda maior.

— Quanto mais os participantes do programa interagem, mais eles tendem a evoluir — afirma ela.

Empolgado com as possibilidades de crescimento dentro da companhia, o trainee Ian Nunjara tem olhar clínico sobre os retornos recebidos ao longo da experiência.

— Estas avaliações são ótimas para o nosso desenvolvimento. Até mesmo quando temos um retorno negativo — diz ele, reconhecendo como isso é, na verdade, uma oportunidade de aperfeiçoamento.

Ao longo do processo, ele tem aprendido, entre outras coisas, o quanto a clareza e a objetividade são cruciais.

— Não temos tempo para ficar dando muitas voltas para resolver um problema — justifica ele.

Para a gerente de projetos da Cia de Talentos, Milie Haji, ele está na direção certa. O trainee precisa absorver muito bem todos os sinais que recebe sobre suas escolhas e atitudes.

— Se muitos e-mails relacionados a um mesmo assunto têm voltado, isso pode indicar que a comunicação escrita está falha. Da mesma forma, se várias reuniões são marcadas em torno de uma mesma questão, isso pode ser uma pista de que o problema não está sendo resolvido de maneira direta — exemplifica ela.

É por isso, segundo Milie, que a inteligência emocional tem sido um dos aspectos-chave para o sucesso de um trainee.

— É preciso ter muita habilidade para saber a hora de falar e de ouvir na medida certa — explica ela.

Confira os processos com inscrições abertas:

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Mattos Filho : Está aberto, até 18 de setembro, o processo seletivo para o programa jovens talentos da empresa, direcionado a estudantes de Direito com formação prevista entre dezembro de 2019 e dezembro de 2020. O projeto contempla vagas de estágio para os escritórios de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, e de trainee exclusivamente para a capital paulista. Os candidatos devem se inscrever pelo site.
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