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Armazenamento terá crescimento forte

30Ago2018Aug30,2018
Infraestrutura e Energia
Valor Econômico
Por Roberto Rockmann | Para o Valor, de São Paulo

O avanço do sol e do vento, fontes intermitentes, na matriz elétrica deve resultar no crescimento de tecnologias de armazenamento de energia elétrica, um segmento ainda incipiente no Brasil. Desde junho, a AES Tietê iniciou o maior projeto piloto no segmento, ao instalar na usina hidrelétrica de Bariri (SP) uma bateria de lítio para armazenamento de 200 kW de energia. A bateria ficará conectada ao gerador auxiliar, que trabalha com a iluminação da hidrelétrica e bombeamento de máquinas. O Operador Nacional do Sistema (ONS), que busca avaliar os impactos do sistema na rede básica, acompanhará o teste, cujo investimento está em cerca de R$ 2,5 milhões.

"Essa tecnologia de armazenamento é uma tendência forte para o Brasil, principalmente com a interligação mais complexa com linhas de transmissão do Norte para o Sudeste. Ela pode ser usada como backup na transmissão ou na geração na ponta como alternativa para o consumidor reduzir a conta ou como alternativa a investimentos em linhas de transmissão ou distribuição", diz Ítalo Freitas, presidente da AES Tietê.

Para Freitas, em três a cinco anos esse nicho deverá ter um forte crescimento por conta dos múltiplos usos. Também pode ser usado para dar maior qualidade ao abastecimento para indústrias que têm necessidade de que as linhas operem sempre na mesma frequência e não sejam perturbadas com oscilações da rede.
Essas múltiplas funções permitem que a inovação seja oferecida a uma ampla gama de clientes, de comercializadoras a grandes consumidores e distribuidoras. "No caso do Brasil, essa expansão do segmento vai acontecer. Já foi estimada uma capacidade potencial de armazenamento de 95GW, o suficiente para abastecer o país por uma hora; e a capacidade instalada já era 1 GW em 2016", afirma Gustavo Figueira, líder empresarial da consultoria Macroplan.
Grandes empresas dos Estados Unidos e da Europa que fabricam os equipamentos já sondam o mercado brasileiro buscando entender a regulação. Atualmente não há regras sobre o segmento nem como seu custo seria repartido. "Esse é um mercado com grande potencial de crescimento", diz Fabiano Brito, sócio da área de infraestrutura do Mattos Filho Advogados.

O interesse atrai comercializadoras também. A Comerc montou uma parceria com a MicroPower Energy, fundada pelo ex-vice-presidente da Tesla Energy, Marco Krapels. A empresa está trazendo ao Brasil um serviço de armazenamento de energia elétrica em baterias sem a necessidade de investimento pelo cliente. A ideia é que a solução possa ser aplicada como alternativa à geração na ponta - quando o custo é mais alto na rede básica -; para redução da demanda, permitindo reduzir o consumo, ou para funcionar em caso de apagão.

"Esse segmento, eficiência e armazenamento poderão responder por 20% da receita em cinco anos", diz Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc, comercializadora que estreia nessa área.
Na área de distribuição, a tecnologia pode criar novas maneiras de operar a rede. A CPFL Energia está executando seu maior programa de investimentos em pesquisa e inovação com objetivo de entender mais da tecnologia. A concessionária irá investir R$ 60 milhões em três projetos de armazenamento de energia ligados ao programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel. Um projeto se refere a armazenamento em um parque eólico, outro está ligado à usina solar de Tanquinho, primeiro investimento da empresa no setor, e o terceiro à geração distribuída e aos impactos sobre a rede de distribuição. "Com a maior intermitência das fontes na matriz, as baterias podem ser usadas para melhorar a qualidade do abastecimento das redes de distribuição, para reduzir a oscilação de tensão", diz Karin Luchesi, vice-presidente de Operações de Mercado.

A Enel também investe na área. Cerca de 300 residências de um condomínio de alto padrão próximo à Fortaleza (CE) terão sua estrutura elétrica interna transformada em uma microrrede autônoma capaz de funcionar conectada ou não à rede elétrica da distribuidora. O projeto une três principais conceitos tecnológicos: geração distribuída, com a presença de plantas fotovoltaicas e um parque eólico já existentes na região; armazenamento da energia para uso quando necessário; e redes inteligentes, com a automação da rede elétrica, automação de cargas prioritárias das unidades consumidoras do condomínio e softwares de gestão. "O objetivo do projeto é transformar a estrutura elétrica interna de um condomínio de casas numa microrrede autônoma capaz de funcionar conectada ou não à rede elétrica da Enel Distribuição Ceará, graças ao armazenamento de energia", diz o presidente da empresa, Carlo Zorzoli.
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