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Arauco, do Chile, sai na frente na disputa pela Eldorado

16Jun2017Jun16,2017
Societário/M&A
Valor Econômico
16/06/2017 às 05h00

Por Ivo Ribeiro e Stella Fontes | De São Paulo

Apesar do feriado de Corpus Christi, as negociações de venda do controle da Eldorado Brasil Celulose, empresa da holding J&F Investimentos e de dois fundos de pensão, mantiveram-se em ritmo acelerado. Segundo informou ontem uma fonte ao Valor, um desfecho da operação bilionária pode ser anunciado entre hoje e o fim de semana.

A informação é que o grupo chileno Arauco, que conta com assessoria financeira do banco Santander, está na dianteira do processo, com uma oferta considerada bastante atrativa - acima de R$ 11 bilhões de valor total do ativo (incluindo a dívida de R$ 8 bilhões da fabricante de celulose).

A companhia chilena, informou outra fonte, apresentou na quarta-feira aos Batista, donos da J&F, uma proposta indicativa - ainda não vinculante. Conta ainda no processo com a assessoria de dois escritórios de advocacia: o americano Simpson Thatcher & Bartlett, de Nova York, e o brasileiro Mattos Filho.

Segundo essa mesma fonte, que acompanha de perto as negociações e que pediu para não ser identificada, o que está pesando muito no negócio para as brasileiras - Suzano Celulose e Papel e Fibria - são os riscos do acordo de leniência firmado entre J&F e o Ministério Público Federal (MPF).

Esse acordo ainda precisa de aval da 5ª turma do Superior Tribunal Federal (STF) e depois do Tribunal de Contas da União (TCU). Ou seja, da benção de muita autoridade para tornar-se efetivo. Além disso, a holding teria de negociar com o Departamento de Justiça (DoJ) americano, o qual também poderia aplicar uma multa pesada aos Batista.

Para a Arauco, que ainda não faz celulose no Brasil, todavia o quesito do acordo não tivesse tanto peso. Mas tanto o Simpson quanto Mattos Filho teriam a incumbência de fazer uma análise detalhada dos potenciais riscos futuros.

O acordo de leniência, resultante da delação de Joesley e seu irmão Wesley ao MPF apontando práticas de corrupção e pagamento de propinas, observou a fonte, deixa as empresas da J&F co-responsáveis pela multa de R$ 10,3 bilhões. No caso de a holding não honrar, as suas controladas teriam de arcar.

A questão preço também pesa, pois Suzano e Fibria buscam valor considerado o mais adequado para não afetar seus balanços e o retorno aos seus acionistas. Para analistas do Itaú BBA, o equity na venda da Eldorado (valor que os acionistas receberiam de fato) valeria de R$ 1,8 bilhão a R$ 2,5 bilhões, sem incluir sinergias. Os Batista almejam além de R$ 3 bilhões.

Segundo apurou o Valor, o grupo Suzano, que contratou Bradesco e o Itaú para ajudá-lo no caso, já teria recuado de fazer oferta pela fabricante de celulose da J&F.

Permanece ativa no jogo a Fibria, controlada por Votorantim e BNDES, por razões óbvias. É a única que tem muitas sinergias se levar a Eldorado, pois tem uma fábrica também em Três Lagoas (MS), próxima da concorrente.

A Fibria poderia usufruir de alguns bilhões em ganhos com sinergias logísticas e florestais se ficar com a Eldorado, estimam fontes do setor. Quando VCP e Aracruz se uniram, em 2009, dando origem à Fibria, foram geradas sinergias de R$ 4,5 bilhões em valor presente líquido, segundo o Itaú BBA.

Munida dessa vantagem, espera-se que a Fibria apresente uma proposta ainda hoje ou no fim de semana aos Batista para se contrapor à Arauco. A empresa tem a assessoria do Morgan Stanley.
Procurada, a J&F informou, por meio de sua assessoria, que não comenta processo de venda de seus ativos. A Fibria e a Suzano também não se manifestaram.
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