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Ágios elevados podem indicar alta lucratividade da região

30Out2017Oct30,2017
Óleo e Gás
Valor Econômico

​Por Cláudia Schüffner, André Ramalho e Rodrigo Polito | Do Rio

Os percentuais de óleo destinados à União, nas ofertas apresentadas nos leilões do pré-sal, excederam a parcela destinada para a União pela produção futura de Libra, a única área até então leiloada sob o modelo de partilha. Os ágios elevados sugerem que os preços mínimos da 2ª e 3ª rodadas poderiam estar baixos ou que a lucratividade do pré-sal é, de fato, alta.

Um fator que pode ajudar a explicar a disputa pelo pré-sal é a tendência de queda dos custos de operação na região. Em apresentação durante a OTC (Offshore Technology Conference) na semana passada, o diretor de exploração e produção da Shell, Andy Brown, disse que o preço de equilíbrio ("break even") de extração no pré-sal já está abaixo de US$ 40 o barril. O presidente da Petrobras, Pedro Parente, informou que o "break even" de Libra, que era de US$ 80 por barril, está hoje em US$ 33.

Quanto ao ágio dos leilões de sexta-feira, é difícil fazer comparações, porque o modelo de partilha é novo no país, e a única base de comparação é Libra, leiloado em 2013 sem disputa, pelo preço mínimo, com o compromisso de entrega para a União de 41,5% do petróleo produzido. Esse total é obtido depois de deduzidos os investimentos, custos e royalties de 15%.

O que se viu na 2ª Rodada do Pré-sal, que ofertou campos já descobertos, é que a parcela da produção que caberá ao governo ficou na faixa de 52,8% - um ágio médio de 260%. No caso específico da área Entorno de Sapinhoá (maior ágio do leilão, de 673,69%), segundo fontes a par do assunto, a reserva que se estendia para fora do bloco é pequena, e o consórcio elevou o ágio praticamente para evitar a entrada de um novo sócio no projeto. O consórcio Statoil/Exxon/Petrogal, por sua vez, ofertou um ágio de 203,99% por Norte de Carcará.

Já o percentual para a União aumentou para 58,56% na 3ª Rodada, que ofereceu blocos para exploração sem descobertas e que tiveram ágio médio de 202% - puxado pelas duas áreas arrematadas pela Petrobras, já que a Shell levou seu bloco sem ágio.

Advogado de algumas grandes empresas que participaram do leilão, Giovani Loss, do escritório Mattos Filho, afirmou que, na avaliação das suas clientes, as áreas leiloadas na sexta-feira "eram as mais atrativas que o Brasil tinha para ofertar", o que segundo ele pode explicar os ágios.

Loss cita ainda que as expectativas de elevação dos preços do petróleo e as melhorias no modelo regulatório, como a redução do conteúdo local, a extensão do Repetro (regime aduaneiro especial) e o fim da operação única da Petrobras no pré-sal, também podem ter contribuído. "Tudo isso é uma conjuntura positiva", diz.

Diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Décio Oddone considera impreciso classificar as ofertas apresentadas em "caras ou baratas".

"Quando surgiram as discussões sobre se o pré-sal estaria caro ou barato, eu disse que o mercado é que ia dizer. Se me perguntar agora, depois do leilão, eu digo que Pau Brasil foi caro, pois ninguém comprou pelo preço mínimo", disse, se referindo ao um dos campos sem oferta na sexta. "O óleo lucro oferecido na partilha é um risco que a empresa pode tomar se for bem sucedida. Se não encontrar óleo, e tiver oferecido um óleo lucro elevado, ela não vai entregar óleo nenhum. Se achar, os custos são recuperados e o que sobrar ela divide com a União", explica Oddone.

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