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Abstenções demonstram desinteresse e medo de exposição

28Jun2017Jun28,2017
Mercado de capitais
Valor Econômico
Por Juliana Machado e Rodrigo Rocha

28/06/2017 às 05h00

Das 129 empresas aptas a opinar na reforma do Novo Mercado, 29 companhias, ou 22%, abstiveram-se de votar em qualquer um dos itens propostos pela bolsa. Especialistas consultados pelo Valor consideraram o número relevante, indicando o desinteresse e o receio de uma publicidade negativa como fatores que levaram um grupo significativo de empresas a tomar essa decisão.

Vanessa Fiusa, sócia do escritório de advocacia Mattos Filho, foi uma das que ficou surpresa com o número de abstenções. "Acho que pode ser efetivamente despreparo de parte das companhias, que não têm um setor de relações com investidores muito ativo, com uma liquidez menor. É um sinal de desorganização."

A B3, por outro lado, afirmou que o resultado ficou dentro do esperado e não vê o número como expressivo. "A maioria das empresas participou em alguma das etapas e muitas delas, em todas as etapas", afirmou Cristiana Pereira, diretora comercial e de desenvolvimento de empresas da bolsa. "Temos a percepção de que as empresas não votaram não por estarem alheias, mas porque preferiram. Algumas talvez [estivessem alheias], mas não percebemos que era a maioria."

A instituição não detalhou quantas das 29 abstenções vieram de posicionamentos formais ou do simples fato de não participar do processo de votação.

Outra justificativa apontada pelos entrevistados é que o voto tornado público inibiu uma posição mais assertiva de algumas empresas. "A cúpula das empresas tem preocupação de sobrevivência, então é isso que é interessa. Além disso, ao votar contra, a empresa é apontada como retrógrada", diz Alfried Plöger, presidente do conselho de administração da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).

O gestor da Leblon Equities, Pedro Rudge, em tom mais crítico, considerou descaso das companhias o número de abstenções, que classifica como "surpreendente". "Acho que não tem problema um voto contra justificado, mas abstenção é um pouco descaso com os investidores. Parece que não dá a devida atenção e importância a essas matérias."

A B3 destacou que sempre lembrou as empresas que a abstenção pesaria a favor das reformas. "É difícil avaliar o motivo para a empresa não se manifestar, mas algumas questionaram se isso contaria como voto favorável. E respondemos que sim, porque a regra é pela negativa. Mas lutamos por votos favoráveis", disse Cristiana.
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